14/02/2011

E as cargas, ministro?

Coluna De Olho no Porto

Paulo Schiff(*)

O novo ministro-chefe da Secretaria Especial dos Portos, José Leônidas Cristino, cumpriu nesta semana uma maratona de encontros com lideranças do setor de operação portuária.

Na quarta-feira Cristino conversou, depois do café-da-manhã, com membros da Associação Brasileira de Terminais Portuários - ABTP. Depois do almoço a conversa foi com os diretores e conselheiros da Associação Brasileira dos Terminais de Uso Público – Abratec. E antes do jantar diretores da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados - Abtra - tiveram com o ministro uma conversa menos política e mais técnica. Apresentaram a Cristino, dois investimentos feitos na informatização de procedimentos. Um no credenciamento eletrônico de pessoas e veículos para ingresso em áreas alfandegadas e outro no DTE – Documento de Transferência Eletrônica da carga do navio para o recinto alfandegado.

Nesta próxima semana o ministro cumpre outra etapa dessa programação de aproximação com os envolvidos na atividade portuária. Vai receber lideranças dos sindicatos de trabalhadores portuários.

Os temas que pautam esses encontros de Leônidas Cristino com empresários e trabalhadores da operação portuária são tão numerosos quanto importantes. Vamos ficar em um exemplo só para cada setor. Com as empresas, tem a questão dos contratos de concessão de terminais vencidos, ou por vencer. Novas licitações, desde que bem feitas, podem injetar na veia do sistema eficiência, criatividade, tecnologia e custos de operação mais baixos para os usuários. Com os trabalhadores, tem a qualificação, assunto enrolado e sempre complicado. Em Santos, o Centro de Excelência Portuária tem uma espécie de reserva de mercado nessa qualificação, tem acesso a verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador e de efetivo até agora apresentou muito pouco num setor vital não só para o Porto como para a própria região do litoral paulista.

Na agenda do ministro, na próxima semana, fica faltando uma etapa muito importante. Além de conversar com empresários e trabalhadores, ele precisa também avaliar a temperatura da satisfação, ou da ausência dela, dos donos de cargas, dos dirigentes de empresas que produzem para exportação ou que importam equipamentos, insumos e produtos de outros países.

Parece evidente esse raciocínio. Mas, na prática, esse terceiro segmento da atividade portuária fica esquecido pelas autoridades na hora de avaliar os problemas e encaminhar as soluções.

O Porto não é um feudo onde empresas operadoras e trabalhadores vão buscar renda e emprego. Ele tem uma função. Ele presta o serviço essencial para a economia do país de embarque e desembarque de cargas. Ele está interligado à logística, à aduana e a todos os demais modais de transporte. E esse complexo todo só tem sentido em função das empresas que exportam e importam.

Ouvir essas empresas e discutir com elas o famigerado Custo Brasil certamente vai abrir os olhos do ministro Leônidas Cristino para uma questão que transcende empilhadeiras, transtêineres e dragas.

(*)Paulo Schiff é jornalista. Email: prschiff@uol.com.br
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