11/04/2011

Dono do tempo

Marcelo Mariaca - Presidente da Mariaca & Associates

Nos últimos anos, a queixa mais comum dos executivos tem sido a falta de tempo para concluir projetos profissionais e pessoais. Com a percepção de que os dias estão mais curtos, eles se vêem obrigados a atingir o limite para que pareçam mais responsáveis e úteis. Mas qual é o problema, já que o dia continua com o mesmo número de horas? Provavelmente, o acúmulo de tarefas.

O objetivo profissional de muita gente inclui uma carreira estável, com boa remuneração e constantes desafios. Desse modo, fazer com que o dia renda mais parece missão impossível, já que o mercado exige cada vez mais do profissional.

No entanto, é uma ilusão achar que quanto mais atividades exercer mais reconhecimento terá, pois não adianta fazer dez coisas ao mesmo tempo se o resultado final não apresentar boa qualidade.

Hoje, as pessoas levam trabalhos para casa, abrem mão de fins de semana para fechar negócios e estão sempre plugados ao escritório virtual: nos aeroportos enquanto esperam o vôo, nos quartos de hotel, nas cafeterias, nos bares e à beira da piscina enquanto os filhos se divertem. A tal jornada de trabalho de 44 horas semanais virou ficção.

O profissional deve aprender a se concentrar nos resultados, que é o que as empresas querem. Para conseguir alcançar objetivos e as metas impostas sem que a vida pessoal seja colocada de lado, é preciso um bom e eficiente gerenciamento do tempo que deve considerar fatores como avaliação do uso do tempo, foco nas prioridades, planejamento do uso efetivo do tempo e distância das distrações.

Definir um foco é imprescindível para conseguir se concentrar nos resultados. Há pessoas que se estressam por desenvolver durante o dia pequenas atividades que não acrescentam qualidade ao trabalho.

Uma maneira de evitar esse desperdício de tempo é discutir com o chefe quais são as atividades primordiais para o andamento do departamento, considerando as seguintes questões: Qual é o objetivo de determinada atividade? Quais são as medidas do sucesso? O que determina uma boa performance? Quais são as prioridades e prazos? Quais são os recursos disponíveis? Quais são os custos? E como a atividade se relaciona com os outros funcionários?

Outro ponto importante é detectar até que ponto algumas atividades deveriam ser exercidas por outras pessoas. O profissional deve ser cooperativo, mas não pode acumular tarefas, principalmente as operacionais, que não agregam valor ao negócio.

Nós, os brasileiros, não gostamos de dizer "não", ao contrário de alemães e americanos, por exemplo, que não têm pudores de pronunciar essa palavrinha mágica. Os executivos brasileiros se sentem mal com a negativa, talvez pela necessidade que têm de agradar e serem aceitos. Mas é necessário usar a negativa para organizar sua vida e ser dono do seu tempo.

Organizar o tempo é uma atividade essencial para produzir mais e melhor, e sua receita inclui livrar-se de rotinas inúteis, cuidar da saúde e da família, se divertir, ter prazer no trabalho, viver bem. Mente sã, corpo são.

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Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca & Associates

Fonte: Brasil Econômico - 11/4/2011
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