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Santos, SP/

08/04/2011

Dilma e a sacristia

Roberto Jefferson - Presidente do PTB

"Ela vai moralizar a sacristia." Este foi meu comentário quando a agora presidente foi nomeada para o cargo de ministra-chefe da Casa Civil. O motivo era simples. Pelo que dela já conhecia, era capaz de restabelecer a moralidade lá onde, às costas de um vigário embevecido com a popularidade entre os fiéis, ocorriam tenebrosas transações.

Não me equivoquei, embora em certos momentos o local tenha sido frequentado por pessoas pouco pias. Dilma, que assumiu em meio a reservas, conquistou um crédito de confiança entre os fiéis mais relutantes e a prova disso deve estar nesta edição de Brasil Econômico que os leitores têm em mãos.

Hoje, o antigo vigário anda em missão apostólica e se sua ausência não é muito notada, isso não significa que não pretenda reassumir a paróquia. Muitos dão isso por certo. Outros não esquecem de "por las dudas" acender uma ou outra velinha a outros santos ou ao inominável.

O único senão de Dilma é seu flerte com a complacência no que se refere à política monetária. Política monetária não é matéria para seminaristas. Os mais velhos lembrarão de Dilson Funaro, o ministro da Fazenda com alma de coroinha, política e economicamente abusado por um baixo clero, mais baixo que clero.

Em política monetária como em falcoaria, o papel dos pombos é sempre o de caça dos falcões. Henrique Meirelles conhece as regras do jogo porque já foi um falcão, e dos melhores.

No jogo monetário, ainda mais num terreno adverso como o da instável economia internacional contemporânea, não há espaço para prudências, macro ou micro.

A prudência não salva o pombo. É preciso entender que a estabilidade monetária, tão duramente conquistada, não é dos políticos nem dos banqueiros. É do povo, o maior prejudicado, sempre, pela inflação.

Essa é uma questão tanto mais delicada pelo fato de que o risco de perdê-la nem sequer pode ser avaliado por mais da metade da população brasileira, que ainda não era nascida ou mal chegava à idade adulta quando os preços eram remarcados diariamente e os salários perdiam poder aquisitivo bem antes de serem pagos.

Que não se venha com o duelo entre desenvolvimentistas e monetaristas. Esgrima há muito tempo se tornou esporte de poucos. Em questões como essas, devagar não se chega nunca... ou se fica pelo caminho.

Para que o Brasil não fique pelo caminho, Dilma precisa fazer o que deve ser feito, por mais que isso contrarie o PT e um funcionalismo corporativamente míope o que, em muitos casos, dá no mesmo. É preciso reduzir o endividamento público, porque é isso que permitirá uma inflação duradouramente sob controle e juros também duradouramente civilizados.

Se - o mais correto talvez fosse dizer quando - o vigário voltar, como o boêmio, Dilma terá sido presidente de um só mandato. Não faz mal.

O que realmente importa é que ela tem a chance de passar à história como a presidente que fez o que precisava ser feito: as reformas indispensáveis, os investimentos prioritários - em particular na educação, com a formação em massa de profissionais que construirão o futuro, como faz a China. É isso que fará do Brasil uma potência e de Dilma, uma estadista.

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Roberto Jefferson é presidente do PTB

Fonte: Brasil Econômico - 8/4/2011
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