20/01/2011

Dilma, Cristina e a guerra das toalhas

Arnaldo Comin - Editor-executivo do Brasil Econômico

A ausência de Cristina Kirchner na posse de Dilma Rousseff, que, surpreendentemente, passou quase em brancas nuvens, suscita algumas reflexões acerca das relações do novo governo brasileiro com o atual ambiente político e econômico do Mercosul.

Embora a repentina viuvez justifique sua reclusão na virada do ano, a mandatária argentina não cumpriu com o compromisso histórico de referendar a ascensão à Presidência da primeira mulher na maior república da América Latina.

Contratempos pessoais à parte, Dilma desembarca em 31 de janeiro em Buenos Aires para sua primeira viagem externa, contemplando o principal parceiro estratégico do país.

Em linha gerais, Dilma encontra ventos favoráveis no cenário sul-americano. Pragmático, o presidente uruguaio José Mujica tem feito enorme esforço para estreitar as relações bilaterais e usar o crescimento brasileiro como alavanca para sua pequena economia.

A Bolívia, cujas instituições se movem como um caminhão carregado de nitroglicerina, volta a dar sinais de boa vontade com o capital estrangeiro, em especial a Petrobras. A revisão de tarifas em Itaipu também promete minimizar as diferenças com o Paraguai e, quem sabe, atrair mais indústrias na região da fronteira.

Imersa em uma crise sem fim, a Venezuela de Hugo Chávez deverá perder protagonismo, a julgar pelo estilo mais discreto que promete marcar a política externa do novo governo.

A maior dúvida, portanto, irá pairar sobre Cristina, que chega ao final do mandato com apoio inconsistente à sua reeleição e enfrentando mais uma vez a ira das indústrias e dos produtores no campo.

No momento em que cresce a dependência das exportações argentinas com o Brasil, o vizinho também ergue trincheiras aos produtos brasileiros, em uma tática de guerrilha que chega ao surrealismo de barrar louças sanitárias e até toalhas de banho.

Mais do que animosidade, Dilma terá de negociar com um sócio que se move no exterior consumido por um intrincado jogo de interesses políticos internos.

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Arnaldo Comin é editor executivo do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 20/1/2011
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