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20/09/2010

Dieta da ração humana causa polêmica entre a classe médica

Sem estudo científico que ateste os efeitos positivos no corpo humano, especialistas ainda não chegaram a um consenso

Da Redação, com Agência Estado

Ela causa repulsa pelo nome e euforia pelos benefícios que supostamente seria capaz de proporcionar: rejuvenescimento, bom funcionamento do intestino e até perda de peso, garantem os fabricantes.

A ração humana, uma farinha composta por cerca de dez ingredientes, virou moda. É a aposta da vez para aqueles que buscam emagrecer e cuidar da saúde. Como não há um estudo científico que ateste os efeitos positivos que a tal mistura promoveria no corpo humano, os especialistas ainda não chegaram a um consenso sobre o alimento.

O nutrólogo Mauro Sisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), condena o uso da novidade até como complemento alimentar. "Sou a favor dos nutrientes de sua composição, como o trigo e a soja, mas não desta combinação e nem da dosagem. A mistura tem sido vendida como uma solução pronta, mas não tem comprovação médica. Uma colher desta ração não tem o poder de melhorar nada", diz.

Outro problema, segundo Sisberg, é que não há padronização da composição da ração. "Não se sabe nem mesmo a origem desta fórmula, assim como não há validação e padronização científica sobre a dosagem ideal. Teoricamente, a mistura de cereais é feita desde a década de 1950, mas não como uma fórmula única", afirma.

Até mesmo os especialistas que indicam a mistura pedem cautela para o consumo, sobretudo para quem tem alguma doença. "O hipertenso não pode consumir a farinha porque contém guaraná, assim como o diabético não pode ingerir o açúcar mascavo que há nela e o farelo de trigo pode provocar diarreia", diz a nutróloga Socorro Giorelli, da Sociedade Brasileira de Nutrologia. "Atenção ao rótulo na hora da compra. Se for fabricar em casa, veja a procedência dos ingredientes", indica ela.

Doutor em Ciências dos alimentos pela Unicamp, o nutrólogo Edson Credidio compara a ração à multimistura criada pela médica Zilda Arns (fundadora da Pastoral da Criança), que tinha um preço mais popular e não era usada com o objetivo de emagrecer. "Acho válido o uso da ração humana porque o brasileiro consome pouca fibra", declara o profissional.

"Necessitamos de 25g a 35 g por dia e a maioria das pessoas passa longe desta medida. A farinha pode ser um complemento se for adicionada aos lanches, mas nunca deverá atuar como substituta de refeições, pois isso pode causar carências nutricionais", diz.

A nutróloga Ellen Simone Paiva também é contrária à ração humana. O único benefício verdadeiro da mistura, segundo ela, seria melhorar o funcionamento intestinal. "Como a composição tem muita fibra, pode melhorar a flora intestinal, mas apenas se a pessoa tiver um estilo de vida completamente saudável", opina. Em um ponto todos os especialistas concordam: se optar pela ração humana, não dispense o acompanhamento médico.

Fonte: Abril.com.br - 8/4/2010
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