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Santos, SP/

21/03/2012

Deslanchar o Brasil

Miguel Setas - Vice-presidente de Distribuição e Inovação da EDP no Brasil

Na semana passada, soubemos do resultado de um estudo da Fundação Getulio Vargas e da consultoria Gallup apontando que o povo brasileiro é considerado o mais feliz e otimista do mundo. É a quarta vez consecutiva que o Brasil lidera este ranking.

De fato, o povo brasileiro tem razões para estar feliz. Um dos sinais mais positivos dos últimos anos foi a captação de investimento privado, que se tem vindo a traduzir em melhor qualidade de vida para a população.

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil foi o país em desenvolvimento que recebeu maior volume de investimentos privados em infraestrutura, entre 1995 e o primeiro semestre de 2011. Com US$ 298 bilhões captados, o Brasil ultrapassou a Índia, com US$232 bilhões, e a China, com US$102 bilhões.

Os setores da energia elétrica, telecomunicações e rodovias representaram 90% deste valor. Enquanto, ferrovias, portos, gás natural e saneamento arrecadaram os 10% restantes.

Juntamente com os dólares, também têm vindo pessoas. De acordo com a consultora Michael Page, o número de executivos estrangeiros que ocupam cargos de direção no Brasil teve uma alta de 78% nos últimos quatro anos.

O Japão (250), a Coreia do Sul (176) e Portugal (137) lideram o ranking dos países que mais exportam executivos seniores para o Brasil. Estes três países são responsáveis por mais de 40% dos executivos estrangeiros que ocupam cargos de direção no Brasil.

Dados do governo federal mostram também que, nos últimos quatro anos, o número de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros cresceu 60%, ultrapassando 70 mil, em 2011.

Este desempenho excepcional, apesar de um certo abrandamento nos últimos anos, contrasta com os resultados modestos no ranking Global de Inovação do Insead (a mais conceituada escola de negócios na Europa) e da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, divulgados recentemente.

O Brasil encontra-se, em 2011, no 47º lugar, atrás de países como a Costa Rica, a Jordânia ou o Chile. Portugal ocupa a 33ª posição, atrás da Espanha.

O ranking é liderado pela Suíça, Suécia e Cingapura. Este estudo mede questões relacionadas com o ambiente político, regulatório, tributário, educacional, de negócios, infraestrutura, atividade científica, pesquisa e desenvolvimento, entre outros fatores.

De acordo com o Insead, dentre os inúmeros fatores analisados, o Brasil lidera apenas o ranking de exportação de serviços criativos, e é o último classificado na rapidez de abertura de um negócio.

Abrir uma empresa custa três vezes mais do que nas outras potências emergentes do Bric (Rússia, Índia e China) e para um estrangeiro leva cerca de cinco meses - mais do que o dobro do tempo médio dos países da América Latina.

Estas duas facetas são aparentemente incompatíveis. Por um lado, o Brasil apresenta-se como o país mais otimista e criativo do mundo, capaz de atrair investimento e talento internacionais.

Mas, por outro, os resquícios de um modelo de Estado burocrático ainda travam o crescimento. O que a análise destes rankings sugere é que a sexta maior economia do mundo pode aspirar a sair do meio da tabela da inovação, em particular, por meio de uma profunda desburocratização da máquina pública. Não será este um gatilho para o Brasil deslanchar?

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Miguel Setas é vice-presidente de Distribuição e Inovação da EDP no Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 21/3/2012

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