08/02/2011

Cuidado com a bolha

Eduardo Pocetti - CEO da BDO no Brasil

O mercado imobiliário brasileiro anda aquecido. Por diversas partes do país, em especial nas capitais e grandes cidades, percebemos um enorme número de lançamentos, empreendimentos e construções em diversos estágios de acabamento, destinados a públicos dos mais variados estratos sociais.

Sabemos que há no Brasil um grande déficit habitacional. Além disso, com a ascensão econômica das classes menos privilegiadas, a procura por imóveis - e, por conseguinte, pela realização do sonho da casa própria - cresceu em proporção similar.

Mas não é só o mercado de imóveis novos que está aquecido. Ficamos sabendo que os usados também vêm sendo muito procurados, o que provoca o encarecimento do "metro quadrado construído".

O Creci-SP divulgou pesquisa neste início de fevereiro que revela a alta de quase 270% no valor de imóveis residenciais usados em algumas áreas da capital paulista entre janeiro e dezembro de 2010. Outros fatores têm alimentado a valorização, como é o caso de Santos, no litoral paulista.

Ali, a alta nos preços pagos pelos imóveis é justificada, em grande parte, pelo crescimento na procura em razão de a economia da cidade ter o potencial crescer muito a partir da exploração de petróleo e gás do pré-sal, na Bacia de Santos.

Nada mais natural que, em razão das forças de mercado, os preços de imóveis tenham evolução mais significativa, principalmente pelo aumento da renda do brasileiro, crescimento de nossa economia, farta oferta de crédito barato e necessidade de que seja reduzido o déficit habitacional.

A questão é quando a alta dos preços é estimulada por movimentos especulativos. Não podemos nos esquecer da crise de créditos hipotecários subprime nos Estados Unidos, que deu origem à depressão econômica internacional de 2008/2009, uma das piores já registradas.

O problema ocorreu pela conjugação de uma série de fatores, como a elevação exagerada nos preços dos imóveis, a grande oferta de crédito barato e a falta de prudência das instituições financeiras na concessão de empréstimos.

Quando a bolha de preços dos imóveis estourou, gerando uma baixa geral, surgiram os esqueletos de vultosos créditos hipotecários podres e irrecuperáveis concedidos pelas instituições americanas, provocando uma série de quebras que culminou com a derrocada do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro de 2008, estopim da crise mundial.

A situação do Brasil é diversa da americana, já que, apesar da grande oferta de crédito, nossas instituições são muito exigentes com as garantias requeridas dos tomadores. Além disso, não temos a cultura das "hipotecas múltiplas" e o crescimento do país parece ser capaz sustentar a alta de preços.

Mas nunca é demais alertar sobre o temor de que movimentos especulativos possam vir a provocar um eventual "estouro de bolha imobiliária", o que resultaria em estragos para nossa economia. Portanto, fiquemos atentos às altas nos preços dos imóveis.

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Eduardo Pocetti é CEO da BDO no Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 8/2/2011
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