28/03/2011

Crônica de um caos anunciado

Coluna De Olho no Porto

(*) Paulo Schiff

O mês de abril traz junto com ele uma angústia agendada para os usuários do Sistema Anchieta-Imigrantes, da Via Cônego Domênico Rangoni e para a população de Cubatão. Trata-se da convivência forçada com o fluxo de caminhões que escoa para exportação a safra brasileira de grãos e açúcar.

É o caos com data marcada.

Neste ano de 2011, a única diferença para os anos anteriores é que a safra é recorde. Ou seja: os problemas vão estar multiplicados.

A previsão é de picos de mais de 15 mil caminhões e carretas por dia. A direção da Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes, acostumada com um trânsito médio de 10 mil veiculos pesados por dia, diz que não vai haver problemas. Para ela, não vai haver mesmo. Ou melhor, o único problema é o de contar mais dinheiro.

Mas os problemas começam, na verdade, na própria estrada com a “corrida” desumana dos caminhoneiros para chegar na fila primeiro. A Codesp poderia impor um agendamento prévio dos desembarques para disciplinar a entrada de caminhões no Porto. A medida, sempre discutida e sugerida, até hoje não foi implantada de forma enérgica.

E o caminhoneiro, que já vem na base do energético para espantar o sono e da garrafa plástica para urinar, fica exposto ao sol e à chuva na fila, às vezes junto com a família, sem nenhum conforto básico. Os pátios de estacionamento são insuficientes.

Quantos acidentes a mais são induzidos por essa corrida?

Os congestionamentos facilitam a vida dos assaltantes. E aí, até motoristas de automóveis, que não têm nada a ver com a atividade portuária, pagam o pato.

O congestionamento de veículos nas estradas é acompanhado pelo amontoamento de navios na barra. É comum nessa época, um cenário de dezenas de navios ancorados esperando a vez para atracar. Inspiradora para um artista plástico, a cena é aterradora para quem arca com os prejuízos de milhares de dólares por dia dessa espera.

Se chover, aí a coisa piora. Em pleno século 21, o Porto de Santos, o maior do hemisfério sul do planeta, não tem nenhuma tecnologia, por mais rústica que seja, para embarque de granéis sob chuva.

A única alternativa para os prejudicados, por enquanto, é chamar o síndico.

***

No desenho atual da nuvem política, além de José Roberto Correia Serra permanecer na presidência da Codesp, o ex-minstro Pedro Brito volta ao centro de decisões da área portuária nacional na Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Primeiro numa diretoria. Depois...

(*)Paulo Schiff é jornalista. Email: prschiff@uol.com.br

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