02/03/2011

Crise árabe impacta Vale e agronegócios

Renê Gardim

São Paulo - A mineradora brasileira Vale suspendeu ontem os trabalhos de comissionamento (testes de produção) de sua primeira planta de pelotização, localizada no distrito industrial de Sohar, em Omã, devido a conflitos no país. A Vale orientou os empregados, na sua maioria omanis, a permanecerem em suas casas. A Vale está investindo US$ 1,356 bilhão em complexo industrial em Omã. Não só os minérios mas também as commodities agrícolas estão sofrendo no momento com a crise no norte da África e Oriente Médio e deve provocar queda nas exportações do agronegócio e redução nos preços, com impossibilidade de desembarque.

Mas, a médio e longo prazo, os produtores de commodities, especialmente de grãos, devem ter ganhos, segundo traders e especialistas ouvidos pelo DCI nos últimos dias. Os países em conflito dependem da importação de alimentos.

Os principais produtos exportados do Brasil para os países árabes são carnes (bovina e frango), açúcar, minérios, cereais, veículos e máquinas. Com os conflitos em andamento, ainda é difícil prever efeitos mais amplos da crise sobre as commodities agrícolas, mas as projeções apontam para viés de alta, principalmente se as expectativas de uma melhor distribuição de renda e da prevalência de um processo mais democrático se confirmarem. Nesse caso, o consumo de alimentos deve aumentar.

O presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, entende que o mercado de frango e suínos no Oriente Médio deve crescer mais após o fim dos conflitos. Ele esteve esta semana em Dubai, nos Emirados Árabes, e garante que o interesse dos países da região é grande.

Para o analista de commodities agrícolas da Cerealpar, Steve Cachia, que esteve em Malta e acompanhou de perto a movimentação nas áreas de conflito, os preços dos alimentos, um dos principais catalisadores das manifestações, devem subir.

O professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, entende que "o aumento do preço do petróleo deve gerar redução no ritmo da economia internacional, que pode levar a redução nos preços das commodities agrícolas e minerais, reduzindo a pressão inflacionária". Leite acredita que comércio externo pode ser prejudicado, devido ao possível desaquecimento mundial, reduzindo o volume de exportações do Brasil.

Fonte: DCI - 2/3/2011
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