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Santos, SP/

18/02/2011

Criativos, mas pouco inovadores

Felipe Scherer - Sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática

Dias atrás foi divulgado um estudo sobre as novas regras da inovação no mundo, do qual participaram mil executivos em 12 países. Chamado Global Innovation Barometer e realizado pela GE, seus resultados não chegam a surpreender. Por exemplo: 95% dos entrevistados acreditam que a inovação é a chave para uma economia mais competitiva.

Porém, o estudo traz achados interessantes. Apesar de nós, brasileiros, não sermos vistos como os mais inovadores, fomos considerados como um dos três países mais otimistas em relação a como a inovação pode melhorar a vida das pessoas e o país.

Na prática isso significa que os executivos entrevistados acreditam que podemos melhorar nossa condição econômica e nossa qualidade de vida inovando mais. É um bom sinal. Afinal, o primeiro passo para inovar é acreditar que precisamos fazê-lo.

Porém, a inovação possui duas matérias-primas fundamentais: criatividade e conhecimento. E é aí é que começam nossas dificuldades.

O Brasil sempre foi considerado um país no qual as pessoas são muito criativas e que acabam por utilizar essa qualidade para resolver os problemas de formas inusitadas, o que deu origem ao chamado "jeitinho brasileiro".

Tal criatividade faz de nós campeões nos esportes e na música, mas ainda não nos ajuda a levanta taças quando falamos dos negócios.

O chamado Índice Global da Classe Criativa, criado pelo pesquisador americano Richard Florida, aponta que somos apenas a 43ª economia mais criativa. Em seu ranking, que estudou 45 países, ficamos à frente de Peru e Romênia.

Isso significa que ainda estamos presos ao paradigma da economia extrativista e industrial, devido ao qual deixamos de incorporar tecnologias que poderiam impulsionar nossas empresas.

Precisamos parar de pensar em resolver velhos problemas de forma criativa e passar a oferecer soluções inéditas para o mercado. Temos que parar de pensar em copiar ou tentar produzir as mesmas coisas mais barato - o que é cada vez mais difícil, uma vez que a China se tornou a fábrica do mundo - e passar a desenvolver novos produtos e tecnologias. Somente assim abocanharemos o filé dos mercados.

Temos crescido em publicação científica e na cultura de depósito de patentes, o que atesta nossa capacidade de gerar conhecimento inédito. Isso é importante, pois tecnologias inovadoras provêm de novos conhecimentos.

Contudo, é preciso avançar em dois itens: na capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) por parte das empresas e na utilização das patentes geradas.

Com os programas de financiamento, subvenção econômica e leis de incentivos fiscais começamos a caminhar rumo ao aumento das atividades de P&D dentro das empresas. Precisamos agora aprimorar nossa capacidade de utilizar patentes e de converter o conhecimento gerado em novos produtos e processos.

Os sinais são positivos. O volume de investimento corporativo em ações de inovação tem crescido no país, tanto nas empresas nacionais quando nas estrangeiras que aqui atuam. Esse é um bom caminho para transformar a criatividade dos brasileiros em inovação.

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Felipe Scherer é sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática

Fonte: Brasil Econômico - 18/2/2011
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