13/04/2011

Conquistar corações, mas sem esquecer as mentes

Luis Vicente Rizzo - Diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

Melhorar a consciência ambiental de um pequeno agricultor, que passou a vida todo fazendo uma atividade com técnicas e conhecimento específicos, herdados do pai ou ensinados por outros agricultores, é de uma dificuldade imensurável.

Mais do que mudar sua visão pelo aspecto emotivo - como temos observado em campanhas de comoção coletiva - é necessário mostrar, com base em argumentos razoáveis, a gravidade do problema e garantir seu entendimento para alistá-lo como defensor de boas práticas de sustentabilidade de seu próprio negócio. O conceito de perenidade tem que fazer parte do dia a dia do indivíduo.

O desenvolvimento de ações sustentáveis precisa ser amparado por estratégias sólidas de promoção do conhecimento, capaz de convencer pessoas à mudança de hábitos.

E isso não se limita a indivíduos - mais importante até do que alistar pessoas e comunidades de forma consistente para "a causa" é transformar instituições e áreas inteiras em aliados da militância da sustentabilidade para além do discurso.

Para as práticas da ciência e na medicina, por exemplo, sempre houve a permissão de fazer o que fosse preciso para garantir inovação, progresso e combate às enfermidades que afligem as sociedades ao longo da história.

À prática hospitalar, desde o seu início, jamais houve um impedimento relevante para contenção de sua característica poluidora. Ainda de maneira incipiente, instituições de saúde começam a acompanhar as tendências de preservação ambiental, social e econômica, com ações pontuais em algumas áreas, mas com deficiências técnicas em outras.

Felizmente, há no mundo, incluindo a cidade de São Paulo, referências de visão ampla na gestão hospitalar orientada para essas questões.

Com a "queda da ficha" de que é preciso fazer esforços nesse sentido, a ciência começou a entender que para compreender o mundo não há a necessidade de explorá-lo de forma que o danifique. Como dizia meu avô sobre o seu automóvel Aero-Willis: "Cuido bem dele, pois é o único veículo que tenho, meu filho".

Em pesquisa, há anos se tentam encontrar alternativas para materiais radioativos e de outros tóxicos. Já em medicina, a busca de alternativas para a eliminação de materiais infectados, medicações já utilizadas e reagentes utilizados na cadeia de atendimento aos pacientes, como o solvente xilol, tem estado na linha de frente das discussões e iniciativas da comunidade.

Pelas suas próprias características, tanto a pesquisa científica como a medicina poderiam se valer de um status especial de anistia para o uso de alguns materiais nocivos, se considerado o benefício que podem trazer à humanidade e ao próprio planeta.

Entretanto, nem cientistas nem profissionais de saúde devem se apegar a esta linha de raciocínio. Como em qualquer outra atividade humana, os fins nunca justificam os meios.

Ainda falta muito para melhorar o entendimento legítimo dos gestores dessas e de outras áreas, que já foram afetados pela comoção sentimental relacionada ao tema e agora precisam ser capacitados para saber praticar ações mais relevantes.O

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Luiz Vicente Rizzo é diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

Fonte: Brasil Econômico - 13/4/2011
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