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01/02/2012

Ciência e tecnologia

Roberto Nicolsky - Diretor-geral da Protec e pró-reitor de de Extensão do Uezo

Um tema recorrente em nossa política de desenvolvimento é o entendimento do papel que exerce a universidade na geração das inovações de que nossa indústria manufatureira necessita para ser competitiva e, assim, ser um player efetivo no comércio mundial.

Ciclicamente ouve-se falar em transformar a ciência, de padrão internacional, criada em nossas universidades, em inovações tecnológicas agregando valor a produtos e processos.

Há até os que afirmam que essa não transformação de ciência em tecnologia seria uma deficiência das nossas indústrias e dos empresários, que teriam falta de cultura e aversão ao risco.

Será mesmo que esse processo tão linear, e aparentemente tão simples e óbvio, seja o que nos falta para nos tornarmos uma economia competitiva?

Afinal, o próprio CNPq foi criado há 60 anos com a motivação de desenvolvermos uma ciência nuclear e transferi-la para a indústria, mas ainda estamos buscando fazê-lo.

É assim também em todas as áreas de excelência da nossa ciência. Mas, afinal, o que há de errado com esse conceito alimentado pelo nosso senso comum?

É que essa linearidade é inexistente. Ao contrário, o processo de geração de inovações e sua agregação a produtos e processos provém de outra motivação: a solicitação, o desejo dos consumidores e usuários do produto.

Do mercado, enfim. A própria etimologia da palavra inovação (in novatio) significa agregar algo novo em, ou seja, melhorar e adicionar valor ao que já existe. É o que os consumidores exigem e terá êxito aquele que souber atendê-los.

Atender à demanda dos consumidores é o norte para qualquer empresa que quer inovar. Assim acontece em pelo menos 99% das patentes, como mostra o gráfico de Guenrich Altshuller, economista russo que estudou mais de 200 mil patentes e criou um método para analisá-las denominado Triz.

Claro que por vezes um concorrente se adianta na agregação de inovações. Então o início para uma empresa pode ser a engenharia reversa das melhorias incorporadas.

E a ciência acadêmica, onde fica? Sim, ela pode ser necessária quando a tecnologia já está na fronteira, ou próxima desta - como no caso da Petrobras. Mas isso é apenas 1% das patentes, como já vimos.

Apostar exclusivamente nessa estreitíssima faixa é se condenar a jamais alcançá-la.

Mas a academia tem um papel muito importante na inovação: formar recursos humanos da mais alta qualificação, com domínio das fontes de conhecimento e uma visão crítica do que ela própria ensina.

Esse profissional será um inovador na indústria em que for trabalhar. Sim, porque é a indústria que faz a inovação para atender à demanda dos usuários e clientes.

O sucesso da Coreia, China e Índia se baseia nessa realidade. A resposta dos consumidores pode ser aquilatada pelo sucesso das exportações, liderado por manufaturados. Enquanto em 2011 estamos no mesmo 28º lugar que tínhamos em 1985, a Índia saltou para o 16º, a Coreia para o 6º e a China para a ponta, superando a Alemanha.

Nenhum desses emergentes lançou um produto que já não existisse nos desenvolvidos. Mas fez tudo melhor, atendendo à demanda, seguindo os passos e a lição de um gênio da inovação: Steve Jobs, que, sem descobrir nenhum produto novo, fez da Apple a maior empresa do mundo levando a inovação ao paroxismo em produtos que já existiam. E isso sem sequer ter completado o curso de graduação.

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Roberto Nicolski é físico é diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) e pró-reitor de Extensão do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo)

Fonte: Brasil Econômico - 1.º/2/2012

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