08/08/2011

Bancos trocam cartões e senhas por biometria

O interesse das companhias em reforçar a segurança e evitar fraudes tem estimulado as vendas de equipamentos biométricos no país. Esses produtos são compostos por um equipamento e um software capaz de capturar características físicas e verificar a identidade de uma pessoa. Fornecedores como Fujitsu, Hitachi, NEC Brasil e BRSLabs preveem elevar as vendas em pelo menos 30% no ano.

Não há estatísticas confiáveis sobre esse mercado no Brasil, mas sabe-se que se trata de um segmento pequeno. No mundo, ele movimentou US$ 4,3 bilhões em 2010 e deve crescer 26% neste ano, de acordo com a consultoria americana International Biometric Group (IBG). Os equipamentos mais conhecidos são os que reconhecem as digitais dos dedos. Mas as companhias também investem em tecnologias capazes de identificar características como íris, voz, e veias da palma da mão e dos dedos.

Esses equipamentos já eram usados por departamentos de polícia, condomínios e acoplados a urnas eletrônicas. Atualmente, a demanda está mais aquecida entre bancos. A Fujitsu tem projetos em quatro grandes bancos brasileiros, com 30 mil sensores instalados em caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês). Esses leitores mapeiam o fluxo de sangue das veias da palma da mão. "Em dois anos, a meta é ter sensores em 50% da base instalada de caixas eletrônicos no Brasil", diz Edson Siqueira, diretor de vendas da Fujitsu. Hoje existem 178 mil ATMs em operação no país.

O Bradesco aposta na biometria da palma da mão desde 2007, em projeto que já demandou um investimento de R$ 31 milhões. A tecnologia está presente em 70% da rede de 32,5 mil caixas eletrônicos da instituição, com 5,2 milhões de clientes cadastrados. O serviço permite a realização de transações sem o uso cartões ou senhas.

Laercio Albino Cezar, vice-presidente executivo do Bradesco, diz que a tecnologia foi adotada pelo alto índice de precisão na identificação do cliente. "A taxa de falso-positivo é de oito para cada dez milhões de tentativas", diz. O Bradesco usa a mesma tecnologia para abertura de contas e estuda adotar a aplicação no acesso ao banco via internet e no controle de acesso de funcionários. Em relação a equipamentos que foram trocados recentemente, o banco informou que houve falhas nos caixas eletrônicos, mas não no sistema biométrico.

O Itaú Unibanco também realiza testes com sistemas biométricos para reforçar a segurança, informou Ricardo Guerra, diretor de canais de atendimento do Itaú Unibanco. A instituição não quis dar detalhes sobre o projeto.

A Hitachi Omron Terminal Solution, divisão da japonesa Hitachi, também tem se beneficiado da demanda pelos bancos. A unidade fornece para um grande banco brasileiro equipamentos que fazem o mapeamento das veias da mão. Outros três grandes bancos testam duas tecnologias da Hitachi: um equipamento que identifica o mapa das veias dos dedos e um sistema que analisa as digitais.

"Os bancos procuram sistemas biométricos para substituir senhas e aumentar os níveis de segurança", afirma Marcelo Carvalho, diretor de novos negócios e novas parcerias da Hitachi. O executivo preferiu manter em sigilo os nomes das instituições financeiras. Mas adiantou que em um banco serão instalados 6 mil leitores biométricos neste ano. O projeto desse cliente prevê a compra de 55 mil equipamentos em três anos.

A companhia não divulga dados financeiros do país. Carvalho diz apenas que as vendas neste ano devem crescer 35% no Brasil com os contratos já fechados. A Caixa, um dos clientes, tem projeto para instalar 6 mil equipamentos de biometria para facilitar a identificação dos beneficiários do programa Bolsa Família.

A NEC Brasil negocia com bancos a instalação de equipamentos com software que identificam digitais e veias do dedo. A companhia dobrou para dez neste ano o número de centros de biometria, ao fechar contratos com os institutos de identificação da Polícia Civil do Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e com as unidades do Detran do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Norte. "Há negociações com administradoras de estádios para implantar sistemas biométricos com reconhecimento facial", acrescenta Massato Takakuwa, diretor de negócios para governo da NEC. A companhia faturou US$ 240 milhões em 2010 e prevê crescer 30% neste ano.

A americana BRSLabs investiu US$ 70 milhões para desenvolver um software capaz de reconhecer e analisar movimentos de 300 objetos e pessoas em uma cena. O sistema é conectado a câmeras e emite alertas para uma central quando identifica movimentos atípicos. O produto já é adotado por condomínios no Brasil, afirma o presidente da BRSLabs para América Latina, Leonardo Scuderi. A empresa não divulga previsão de vendas. Scuderi diz que o Brasil responde por 12% da receita mundial da companhia e a meta é chegar a 15% em 2012.

Cibelle Bouças e Moacir Drska | De São Paulo

FOnte: Valor Online - 8/8/2011

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