04/08/2011

Bancos despencam e levam bolsas europeias a menor nível em 11 meses

O clima de tensão diante dos riscos de contágio da crise da dívida soberana grega para Itália e Espanha ganhou novas proporções ontem e derrubou o mercado de ações europeu. O principal índice das bolsas da região, o FTSEurofirst 300, caiu 2% ao menor nível em 11 meses, elevando as perdas acumuladas no ano para 8,39%. O movimento negativo foi liderado pelas ações dos bancos - os mais afetados pelo risco de default soberano que ainda ronda.

Diante da percepção de que é frágil a capacidade da zona do euro superar a atual crise, os papéis dos bancos amargaram pesadas perdas e lideraram as perdas nos índices. O grande perdedor do dia foi o francês Société Genéralé, que recuou 9%, maior queda em dois anos. Graças à exposição a títulos da dívida grega, o faturamento da instituição no segundo trimestre caiu para € 747 milhões, contra € 1,08 bilhões no ano passado. Analistas ouvidos pela "Bloomberg" esperava que o faturamento do trimestre ficasse em € 1,01 bilhão. Outras instituições francesas, como o Natixis e o Credit Agricole, também caíram

Os bancos italianos também foram diretamente afetados pelas preocupações em relação ao rumo da economia do país. O índice FTSE Italia All-Shares Bank, composto pelos papéis de instituições financeiras do país, teve queda de 4% e chegou ao menor patamar desde que o índice começou a ser medido, em dezembro de 2008.

Na Inglaterra, o Royal Bank of Scotland recuou 3,47%, enquanto o HSBC perdeu 2,67%. Na Espanha. Na Espanha, o La Caixa, maior banco de poupança do país, caiu 1,82% e o Santander teve queda de 1,22%. O Commerzbank foi o banco alemão com maior perda, de 3,71%.

Os índices regionais seguiram a tendência de queda em todos os dezoito principais mercados da Europa. O índice Financial Times, de Londres, e o DAX, de Frankfurt, perderam ambos 2,3%, enquanto o CAC-40, da França, recuou 2,1%. O principal índice das ações italianas caiu 1,54% e a bolsa de Madri, na Espanha, perdeu 0,85%.

As quedas nos papéis dos bancos europeus pode ser um prenúncio de problema maior. "O risco de uma seca de crédito no sul da Europa está crescendo", disse Huw van Steenis, analista da Morgan Stanley, em Londres. "A captação dos bancos do Sul da Europa continua sob estresse e permanece uma fonte chave de risco para os ganhos dos bancos, sua capacidade de emprestar e atrasa a recuperação econômica", disse.

As bolsas americanas conseguiram se recuperar da tendência de queda herdada da Europa e fecharam em alta. O ponto de virada foi a expectativa de que o Federal Reserve, banco central americano, esteja estudando novo pacote de estímulos a economia, depois de dados ruins de consumo e produção industrial na última semana.

O índice Dow Jones subiu 0,3%, para 11.896 pontos, após recuar 166 pontos no início do pregão. O índice Standard & Poor´s 500 valorizou 0,5%, para 1.260 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 0,89%, para 2.693 pontos.

Fonte: Valor Online - 4/8/2011

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