28/04/2011

As opções inteligentes dos terminais burros

Costábile Nicoletta - Diretor Adjunto do Brasil Econômico

Não faz muito tempo, quando uma empresa precisasse trocar os computadores usados por seus funcionários, em geral empregava os mesmos critérios levados em conta por um consumidor final: quanto mais parruda a máquina, com vários gigas de memória de processamento e de armazenamento, melhor.

Isso implicava outros custos, como a substituição de programas antigos por versões mais recentes e uma readequação na capacidade energética das instalações da companhia.

O desenvolvimento da computação nas nuvens - processo em que tanto o armazenamento quanto o processamento dos dados são feitos remotamente, e não nos PCs dos escritórios ou fábricas - está mudando novamente o conceito do que é uma máquina possante.

O mundo corporativo está voltando a usar os chamados "terminais burros", computadores com pouquíssimos recursos de software, conectados a um computador mais potente, instalado na própria empresa ou fora dela e que empresta aos terminais as ferramentas para que possam funcionar.

Esses terminais dedicam-se quase que exclusivamente às funções necessárias para as tarefas corporativas de cada empresa e são parcimoniosos no consumo de energia. É uma espécie de volta a um passado em que a maioria das empresas fazia isso muito mais por falta de recursos tecnológicos que por opção financeira.

Segundo a consultoria Gartner, 250 milhões de computadores serão trocados no período compreendido entre 2010 e 2012.

No cálculo de Tarkan Maner, presidente da Wyse, fabricante americana de computadores simples que vai instalar-se no Brasil, é possível que sejam vendidos 30 milhões desses equipamentos com poucos recursos de softwares no mundo neste ano.

Esses terminais simplificados são comercializados nos Estados Unidos com preços a partir de US$ 50. A HP e a Dell - ambas com fábrica no Brasil - também atuam nesse segmento. Por enquanto, as três vendem esses equipamentos importando-os de outras subsidiárias.

O modelo da HP custa R$ 650. A produção nacional contribuirá para reduzir esse valor e possibilitará ao Brasil tornar-se um importante distribuidor desse item para os demais países da América Latina.

O princípio dos terminais burros poderia ser estendido às iniciativas escolares. Não se trata de um trocadilho infame, mas de uma alternativa mais econômica para viabilizar economicamente o uso de computadores por estudantes, sobretudo os da rede pública de ensino.

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Costábile Nicoletta é diretor adjunto do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 28/4/2011
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