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Santos, SP/

05/01/2012

As lições que a agonia da Kodak revela

Joaquim Castanheira - Diretor de Redação do Brasil Econômico
  
Muitas vezes, pequenos fatos se transformam no retrato de toda uma época.

Uma notícia, publicada hoje no Brasil Econômico, se encaixa com perfeição nesse conceito. Trata-se da ameaça de exclusão da Kodak da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).

Pelas regras do mercado financeiro americano, o papel de uma companhia pode ser barrado nos pregões se durante 30 dias consecutivos seu valor permanecer inferior a US$ 1.

Esse é o caso da Kodak, cuja cotação encontra-se abaixo de US$ 0,90. Pior: a própria empresa admitiu que pode ter dificuldades em atender ao critério da Nyse, o que tornaria ainda mais dramático seu quadro financeiro, já em estado terminal.

Empresas nascem e morrem todos os dias, mas o caso da Kodak não deixa de ser surpreendente diante da força que a companhia já teve no universo corporativo.

Sua marca era sinônimo de fotografia e de excelência quando o assunto era reprodução de imagens.

Seus produtos (câmeras, filmes, reveladores, papel fotográfico, entre outros) estavam presentes nos mais variados ambientes: desde simples viagens de turismo de uma família de classe média até as salas de exames dos mais sofisticados centros médicos do mundo.

Liderava em praticamente todas as suas áreas de atuação. Seu valor de mercado refletia a hegemonia de sua atuação: em 1997, as ações superavam a casa dos US$ 90.

A pergunta: onde, então, a Kodak tropeçou? Resposta: em seu próprio gigantismo, na acomodação, na falta de ousadia e na crença da força de sua liderança - enfermidades letais para alguns dos maiores colossos da história do capitalismo mundial, como a Sears e, mais recentemente, o Lehman Brothers.

Os problemas da Kodak começaram quando seus dirigentes ignoraram aquilo que o mercado estava lhes dizendo: a tecnologia digital estava provocando uma reviravolta inédita no mercado de imagens, mas a empresa insistiu em manter a aposta nos sistemas convencionais.

O motivo: grande parte das receitas vinha da venda de filmes fotográficos e dos serviços de revelação.

Embora dominasse a nova tecnologia digital, a cúpula da Kodak estava convicta que sua liderança seria mais forte do que a revolução em curso. Bobagem.

Em alguns anos, marcas como Canon, Casio e, sobretudo, os telefones celulares tomaram sua posição. Faltou à companhia o que sempre sobrou a organizações como a Gillette.

A marca que hoje é sinônimo de lâmina de barbear nunca hesitou em lançar produtos que derrubariam seus próprios aparelhos de barbear, num contínuo processo de canibalização.

Mais do que uma estratégia de negócios, o que a Gillette descobriu já no início de suas operações, no despertar do século 20, foi que nenhuma empresa, em momento algum da história, foi bem-sucedida ao negar a evolução tecnológica.

Talvez a Kodak descubra essa máxima tarde demais.

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Joaquim Castanheira é diretor de Redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 5/1/2012

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