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Santos, SP/

05/08/2011

Alta no varejo nos EUA expõe crescente desigualdade

O aumento de 5% nas vendas do varejo em julho, em comparação com doze meses atrás, parecia oferecer ontem um brilhante raio de luz nas notícias sobre a economia americana, mas o número esconde uma imagem mais sombria, em que uma evidente minoria de consumidores ricos é suplantada por uma maioria em dificuldade.

A desigualdade de renda nos EUA está crescendo desde o fim dos anos 1970. Mas a teimosa crise desencadeada pela crise financeira aprofundou uma divisão entre os consumidores americanos "pobres e ricos".

Essa divisão - juntamente com a inflação e a identidade dos 25 varejistas que relataram suas estatísticas mensais - explica porque o aumento nas vendas em julho, ano sobre ano, produz uma sinalização enganosa sobre a saúde dos consumidores nos EUA.

Steven Burd, diretor-executivo da Safeway, uma cadeia de supermercados, caracterizou, no mês passado, os 25% mais ricos de seus clientes como tendo emergido da recessão - para eles, os tempos são bons e estão gastando como sempre fizeram.

Mas os outros 75% estão muito cautelosos e muito preocupados. Isso não é surpresa, pois estão pressionados pela queda nos preços das casas, encarecimento da gasolina, aumento de suas dívidas pessoais e risco de perda de emprego.

David Semmens, economista da Standard Chartered especializado em EUA, afirmou que o crescimento econômico mais fraco que o esperado, divulgado na semana passada, serviu para liquidar certa ilusões. "[As estatísticas] nos fazem perceber que temos exagerado o papel do consumidor americano nessa recuperação", disse ele. As pessoas achavam que este ano seria melhor, e isso simplesmente não aconteceu.

"A vasta maioria de consumidores de renda média está caindo para faixas de baixa renda. Os 25% [mais ricos] são muito diferentes. Eles gastam muito dinheiro. Mas isso não faz todos os barcos flutuarem", diz Ken Perkins, da Retail Metrics, que faz estatísticas varejistas.

Os ricos ajudaram a impulsionar os grandes números de julho com um salto de 15,6% das vendas na Saks, uma loja de departamentos de artigos de luxo, que teve o melhor desempenho do setor.

Um cliente que diz que nunca esteve tão bem é Greg Patmore, que ganha mais de US$ 100 mil por ano. Nesta semana, no Shopping Riverside, em Haverstock, New Jersey, ele saiu da Tiffany, uma loja de joias de luxo, com um presente para sua esposa.

"As coisas estão indo bem para mim. Trabalho na área técnica de jogos online, e nossos negócios nunca foram tão bem", diz. "Para ser honesto, realmente não notei a recessão e o que veio depois dela."

A varejista de pior desempenho foi a Aeropostale, uma loja de roupas para adolescentes e jovens de vinte e poucos anos, onde as vendas caíram 14%.

E, mais significativo ainda, os varejistas que relataram seus resultados ontem não representam inteiramente as três categorias - eletrônicos, móveis e acessórios para o lar - que foram duramente atingidas pelo colapso do mercado imobiliário americano.

Segundo pesquisas sobre os gastos do consumidor americano que incluem mais do que apenas o varejo, a média de gastos diários das camadas de renda média e baixa nos EUA em julho foi de US$ 63, portanto abaixo dos US$ 64 de doze meses atrás.

O gasto diário dos americanos de alta renda subiu de US$ 119 para US$ 128 nesse período.

A inflação também tornou a vida mais difícil. O preço da gasolina em julho foi US$ 1 por galão maior que o do ano passado, o que significa que, com base no volume consumido nas bombas, os americanos tiveram que tirar US$ 10,9 em gastos de algum outro lugar.

A inflação também deu um enganoso impulso às vendas do varejo em julho, primeiro mês em que o impacto do encarecimento das commodities começou a transparecer claramente nos preços, segundo David Bassuk, diretor de varejo na AlixPartners, uma consultoria.

Citando pesquisas de sua empresa sobre como os varejistas estão repassando os aumentos de custos - que, segundo eles, foram de 17,4%, em média - Bassuk calcula que esses aumentos serão responsáveis por um encarecimento de 3% a 4% dos bens mais caros e de 2% a 3% no caso dos artigos mais baratos.

Isso significa que alguns consumidores podem estar gastando mais, embora estejam comprando apenas o mesmo número de itens que no ano passado.

Geralmente, um aumento nos gastos desencadeia uma onda de pedidos na cadeia de suprimento. Mas Michael McNamara, da MasterCard Advisors SpendingPulse, diz: "Estamos vendo consumo, mas isso não está resultando em benefícios, porque a maioria do dinheiro está cobrindo a inflação das commodities".

No shopping Riverside, uma consumidora apertada, a professora Grace Francisco, admite ter desistido de comprar na Bloomingdale's e agora visita outras lojas do shopping, onde encontra produtos mais baratos.

"Os preços estão subindo, mas os salários permanecem os mesmos", reclama ela. "E o que é assustador é que tenho dois filhos pequenos para sustentar, e isso é difícil. Tenho de comprar roupas para eles também."

Barney Jopson e Matt Kennard | Financial Times

Fonte: Valor Online - 5/8/2011

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