{"id":97549,"date":"2021-06-08T08:24:22","date_gmt":"2021-06-08T11:24:22","guid":{"rendered":"http:\/\/127.0.0.1\/acs\/economia-multis-devem-trocar-china-por-brasil-e-al-preve-bid\/"},"modified":"2021-06-08T08:24:22","modified_gmt":"2021-06-08T11:24:22","slug":"economia-multis-devem-trocar-china-por-brasil-e-al-preve-bid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/economia-multis-devem-trocar-china-por-brasil-e-al-preve-bid\/","title":{"rendered":"ECONOMIA: M\u00faltis devem trocar China por Brasil e AL, prev\u00ea BID"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de d\u00e9cadas de experi\u00eancia com fornecedores de insumos localizados na \u00c1sia, em especial, na China, multinacionais americanas e tamb\u00e9m europeias podem estar num momento de mudan\u00e7a. Pressionadas pelas dificuldades de log\u00edstica que surgiram no in\u00edcio da pandemia, muitas empresas passaram a considerar fornecedores que n\u00e3o estejam t\u00e3o distantes. E esse \u00e9 um movimento que deve ser encarado como uma oportunidade de ouro pelo Brasil e para outras economias da Am\u00e9rica Latina.&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o essas as linhas gerais da leitura que o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Mauricio Claver-Carone, faz de um dos reflexos da crise da covid-19.&nbsp;<br \/>Claver-Carone \u2013 que est\u00e1 \u00e0 frente do BID desde outubro \u2013 participou h\u00e1 alguns dias em Madri de um encontro com empres\u00e1rios ibero-americanos para falar do apoio do banco a investimentos na Am\u00e9rica Latina. No in\u00edcio da semana, ele voltou \u00e0 carga, dessa vez em S\u00e3o Paulo, em apresenta\u00e7\u00e3o a representantes de empresas de diversos pa\u00edses sobre investimento em infraestrutura no Brasil.&nbsp;<\/p>\n<p>Em entrevista ao Valor, ele disse que houve um ponto-chave na pandemia que acendeu o alerta em muitas empresas do Ocidente. No in\u00edcio da crise e da eclos\u00e3o dos primeiros casos em Wuhan, a China praticamente se fechou para o mundo e barrou temporariamente suas exporta\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO fechamento da fronteira, quando a pandemia come\u00e7ou, foi n\u00e3o apenas impactante, mas transformador para empresas. A China fechou as fronteiras e as cadeias de abastecimento foram cortadas\u201d, lembrou ele, que \u00e0 \u00e9poca ainda era um dos assessores do governo de Donald Trump. Claver-Carone disse que aquilo marcou as companhias americanas cujas cadeias de suprimentos dependiam em grande parte da China. \u201cFoi traum\u00e1tico. A palavra \u00e9 essa: traum\u00e1tico. Foi traum\u00e1tico esse impacto.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p>Quem teve mais \u00eaxito, acrescenta, foram os empres\u00e1rios que dependiam mais das linhas de abastecimento no eixo Sul-Norte \u2013 ou seja, da Am\u00e9rica Latina -, porque esse fluxo se manteve.&nbsp;<\/p>\n<p>A novidade estimulada pela pandemia, portanto, seria essa: maior prefer\u00eancia de multinacionais pelo que o BID tem chamado de estrat\u00e9gia \u201cnearshore\u201d em detrimento da estrat\u00e9gia \u201coffshore\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cExiste uma oportunidade que talvez n\u00e3o vejamos outra vez por 50 ou 100 anos. Por causa da pandemia, as linhas de abastecimento mundiais est\u00e3o se realinhando\u201d, afirma Claver-Carone.&nbsp;<\/p>\n<p>Ele diz que por gera\u00e7\u00f5es, enquanto governos falavam de integra\u00e7\u00e3o e de acordos de livre-com\u00e9rcio entre as Am\u00e9ricas, empresas americanas se voltavam para a China. \u201cE hoje \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria moderna que as companhias est\u00e3o falando de integra\u00e7\u00e3o porque para elas o custo de transporte e o risco da dist\u00e2ncia ficaram mais claros com a pandemia, com o fechamento das exporta\u00e7\u00f5es na China e em outros pa\u00edses\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Outro fator pesa nessa conta: os custos de produ\u00e7\u00e3o em plantas chinesas \u2013 que no passado serviram de incentivo poderoso para atrair a manufatura global \u2013 j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o baixos quanto eram.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, uma sondagem recente com empresas americanas que t\u00eam linhas de abastecimento na China mostrou que quase 35% das empresas ouvidas relataram j\u00e1 estar tomando medidas \u2013 ou est\u00e3o considerando tom\u00e1-las \u2013 para mudar sua cadeia de fornecimento. \u201cE o Brasil e a regi\u00e3o est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o privilegiada para aproveitar esse investimento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O executivo cita alguns exemplos de setores no Brasil e outros pa\u00edses que poderiam ampliar sua participa\u00e7\u00e3o global como fornecedores: f\u00e1rmacos, t\u00eaxteis, microchips e biocombust\u00edveis. A minera\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um ponto forte da regi\u00e3o e ele chama especial aten\u00e7\u00e3o para as grandes reservas de cobre no Chile e Peru e de l\u00edtio em v\u00e1rios pa\u00edses sul-americanos. Mas destaca outro elemento, os minerais das terras raras, que s\u00e3o o insumo para os pain\u00e9is de energia solar.&nbsp;<\/p>\n<p>Claver-Carone menciona as manchetes que rodaram a imprensa estrangeira h\u00e1 alguns meses sobre trabalho for\u00e7ado na regi\u00e3o chinesa de Xinjiang onde operam v\u00e1rias empresas da cadeia de produ\u00e7\u00e3o dos pain\u00e9is solares. \u201c\u00c9 a grande controv\u00e9rsia neste momento: o fato de que a maioria dos pain\u00e9is solares vendidos no mundo ou t\u00eam produtos ou t\u00eam m\u00e3o de obra da prov\u00edncia de Xinjiang, na China, onde estamos vendo campos de concentra\u00e7\u00e3o, m\u00e3o de obra for\u00e7ada\u201d, afirma o presidente do BID.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o seria mais l\u00f3gico que o Brasil, que tem a segunda maior reserva do mundo desses minerais [depois da China], fosse o l\u00edder, fosse a refer\u00eancia. N\u00e3o deve haver empresa no mundo que n\u00e3o preferisse trabalhar com o Brasil na minera\u00e7\u00e3o desses produtos necess\u00e1rios para os pain\u00e9is solares.\u201d Para ele, esse \u00e9 um caso em que, com a oferta local de insumo mineral, a produ\u00e7\u00e3o em si dos pain\u00e9is poderia migrar para a Am\u00e9rica Latina.&nbsp;<\/p>\n<p>Faz parte do mandato do BID fomentar investimentos e apoiar projetos de desenvolvimento e de cria\u00e7\u00e3o de empregos em solo latino-americano. Mas assim como empresas americanas se voltaram para a China nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a China fez um movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s economias do Cone Sul. E empresas chinesas de diversos setores se estabeleceram na regi\u00e3o.&nbsp;<br \/>Essa maior presen\u00e7a chinesa numa regi\u00e3o historicamente sob influ\u00eancia de Washington \u00e9 outro tema que invade a agenda da Claver-Carone \u2013 que foi escolhido para o BID depois de uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o do governo Trump, quebrando a tradi\u00e7\u00e3o de latinos no banco. Ele \u00e9 americano de origem cubana.<\/p>\n<p>Segundo ele, a ascens\u00e3o da presen\u00e7a do capital chin\u00eas na Am\u00e9rica Latina pode ser descrita nesses termos: nos \u00faltimos 30 anos, empresas americanas estiveram menos interessadas na regi\u00e3o e mais na China; investimentos americanos e tamb\u00e9m europeus n\u00e3o tiveram crescimento t\u00e3o expressivo na regi\u00e3o quanto tiveram do outro lado mundo. \u201cE assim criou-se um vazio. E eu n\u00e3o critico a China por isso. A China foi muito s\u00e1bia por aproveitar as oportunidades.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p>Claver-Carone v\u00ea tamb\u00e9m uma contribui\u00e7\u00e3o nesse quadro. \u201cQuando houve o desmantelamento da Odebrecht, que era l\u00edder em infraestrutura da regi\u00e3o, criou-se mais uma oportunidade para China preencher.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p>O banco leva em conta um cen\u00e1rio otimista para e economia brasileira e prev\u00ea acelera\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro e aumento do ritmo das exporta\u00e7\u00f5es. \u201cEu n\u00e3o tenho menor d\u00favida que, ao virar a p\u00e1gina da pandemia, haver\u00e1 um aquecimento da economia brasileira muito promissor. E n\u00f3s, como BID, queremos ser s\u00f3cios para ajudar nesse crescimento\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico&nbsp;&nbsp; Depois de d\u00e9cadas de experi\u00eancia com fornecedores de insumos localizados na \u00c1sia, em especial, na China, multinacionais americanas e tamb\u00e9m europeias podem estar num momento de mudan\u00e7a. Pressionadas pelas dificuldades de log\u00edstica que surgiram no in\u00edcio da pandemia, muitas empresas passaram a considerar fornecedores que n\u00e3o estejam t\u00e3o distantes. 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