{"id":95972,"date":"2021-02-17T14:08:23","date_gmt":"2021-02-17T17:08:23","guid":{"rendered":"http:\/\/127.0.0.1\/acs\/economia-o-acordo-mercosul-ue-em-ponto-morto\/"},"modified":"2021-02-17T14:08:23","modified_gmt":"2021-02-17T17:08:23","slug":"economia-o-acordo-mercosul-ue-em-ponto-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/economia-o-acordo-mercosul-ue-em-ponto-morto\/","title":{"rendered":"ECONOMIA: O acordo Mercosul-UE em ponto morto"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado&nbsp;<\/p>\n<p>Ao comentar um estudo de impacto dos acordos comerciais negociados pela Uni\u00e3o Europeia (UE), Valdis Dombrovskis, chefe de com\u00e9rcio do bloco, declarou, a respeito da \u00faltima vers\u00e3o do acordo com o Mercosul, que a Europa encontrou \u201co justo equil\u00edbrio entre oferecer mais possibilidades de exporta\u00e7\u00e3o para os produtores europeus, protegendo-os ao mesmo tempo de efeitos potencialmente nefastos do aumento de importa\u00e7\u00f5es\u201d. Em contraste, na mesma semana, o ministro do Com\u00e9rcio Exterior franc\u00eas, Franck Riester, em sess\u00e3o do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, disparou: \u201cO aumento do com\u00e9rcio poderia criar mais desmatamento\u201d. Tais epis\u00f3dios refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o de que o acordo est\u00e1 bem ajustado do ponto de vista comercial e sua ratifica\u00e7\u00e3o depende apenas de um concerto pol\u00edtico centrado na quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Entre os 12 acordos examinados pelo estudo, o do Mercosul responderia por 53% das compras agr\u00edcolas. No total das importa\u00e7\u00f5es, estima-se que em 2030 o Mercosul seria respons\u00e1vel por 19% das compras \u2013 fatia menor que a de 24,5%, calculada em 2016. Em conclus\u00e3o, a Comiss\u00e3o Europeia apontou que o acordo \u00e9 positivo para a economia e o agroneg\u00f3cio europeu.<\/p>\n<p>Apesar disso, as press\u00f5es contra a ratifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o devem arrefecer. As hostilidades da Fran\u00e7a s\u00e3o previs\u00edveis. Recentemente, o presidente Emmanuel Macron associou de maneira desinformada e caluniosa o cultivo da soja brasileira ao desmate na Amaz\u00f4nia. \u00c9 not\u00f3rio \u2013 e j\u00e1 foi apontado por muitas autoridades europeias \u2013 que a resist\u00eancia de Macron ao acordo visa a agradar a um tempo o eleitorado ambientalista e o lobby protecionista dos agricultores franceses. Mas o mais preocupante \u00e9 que, mesmo entre poss\u00edveis aliados no bloco europeu, as atitudes t\u00eam oscilado entre a desconfian\u00e7a e o desinteresse.<\/p>\n<p>No \u00faltimo semestre, o Brasil e seus parceiros no Mercosul j\u00e1 perderam a oportunidade de negociar com uma lideran\u00e7a pragm\u00e1tica como Angela Merkel, enquanto a Alemanha esteve na presid\u00eancia rotativa da Uni\u00e3o Europeia. Merkel acabou por colocar o Mercosul em segundo plano, priorizando um acordo de investimentos com a China. Se em parte isso se deve aos interesses alem\u00e3es no com\u00e9rcio com a China, tamb\u00e9m revela a apatia das autoridades do Mercosul.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano, Portugal assumiu a presid\u00eancia da UE. Com outras oito na\u00e7\u00f5es, o pa\u00eds \u00e9 um dos signat\u00e1rios de uma carta \u00e0 Comiss\u00e3o de Com\u00e9rcio europeia, argumentando que a n\u00e3o ratifica\u00e7\u00e3o do acordo n\u00e3o apenas pioraria a quest\u00e3o ambiental, como afetaria a credibilidade do bloco e o fragilizaria em rela\u00e7\u00e3o a outros competidores internacionais.<\/p>\n<p>Ainda assim, num documento de 37 p\u00e1ginas apresentando seu programa de governo perante a UE, Portugal citou a \u00cdndia oito vezes; o Mercosul, apenas duas; e o Brasil, nenhuma. J\u00e1 est\u00e1 marcada para maio uma c\u00fapula com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para discutir um acordo de prote\u00e7\u00e3o de investimentos. Com o Brasil n\u00e3o h\u00e1 nada na agenda.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 em vias de aprovar um ambicioso \u201cPlano Verde\u201d e a presid\u00eancia de Joe Biden, nos Estados Unidos, tende a dar novo impulso aos concertos multilaterais em favor das a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Se a estrat\u00e9gia, por assim dizer, de confronto do presidente Jair Bolsonaro j\u00e1 isolava o Brasil antes, agora o isolar\u00e1 ainda mais.<\/p>\n<p>No fim de 2020, a divis\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul da UE esbo\u00e7ou um anexo ao acordo estabelecendo compromissos ambientais e sociais e uma provis\u00e3o de recursos europeus para combater o desmatamento na Amaz\u00f4nia. Mas at\u00e9 o momento praticamente n\u00e3o se viu qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o do Brasil para negociar os termos desse anexo. Caracteristicamente, membros do governo, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ou o presidente do Conselho da Amaz\u00f4nia, o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, se queixam reiteradamente de falta de recursos, mas, quando as oportunidades aparecem, n\u00e3o mostram nenhuma disposi\u00e7\u00e3o para negociar compromissos. N\u00e3o surpreende que, dia ap\u00f3s dia, o acordo com o Mercosul siga retrocedendo rumo ao fim da fila de prioridades europeias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado&nbsp; Ao comentar um estudo de impacto dos acordos comerciais negociados pela Uni\u00e3o Europeia (UE), Valdis Dombrovskis, chefe de com\u00e9rcio do bloco, declarou, a respeito da \u00faltima vers\u00e3o do acordo com o Mercosul, que a Europa encontrou \u201co justo equil\u00edbrio entre oferecer mais possibilidades de exporta\u00e7\u00e3o para os produtores europeus, protegendo-os ao mesmo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[105],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95972"}],"collection":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95972\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}