{"id":58363,"date":"2014-02-11T01:00:00","date_gmt":"2014-02-11T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/127.0.0.1\/acs\/dragagem-de-manutencao\/"},"modified":"2014-02-11T01:00:00","modified_gmt":"2014-02-11T03:00:00","slug":"dragagem-de-manutencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/dragagem-de-manutencao\/","title":{"rendered":"Dragagem de manuten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Coluna O Porto e Suas Quest\u00f5es<\/p>\n<p>Paulo Schiff(*)<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o do calado m\u00e1ximo dos navios que acessam o Porto de Santos em janeiro deixa pelo menos duas quest\u00f5es importantes no ar.<\/p>\n<p>A primeira delas se refere \u00e0 responsabilidade por essa falha. Cada 10 cent\u00edmetros reduzidos na profundidade de seguran\u00e7a representam 70 TEUs (medida equivalente a um cont\u00eainer de 20 p\u00e9s) a menos num navio de cont\u00eaineres e 3 mil toneladas numa embarca\u00e7\u00e3o destinada ao transporte de gran\u00e9is.<\/p>\n<p>Ou seja, a redu\u00e7\u00e3o inesperada modifica planejamentos e representa preju\u00edzos.<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o se refere ao custo-benef\u00edcio do aumento da profundidade de navega\u00e7\u00e3o do canal do estu\u00e1rio.<\/p>\n<p>A Companhia Docas exibiu n\u00fameros interessantes que mostram um crescimento do volume de cargas movimentadas com a opera\u00e7\u00e3o de um menor n\u00famero de navios.<\/p>\n<p>Mas por outro lado, a velocidade de deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos, num canal em que a profundidade \u00e9 ampliada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natural, \u00e9 maior. Exige, portanto, mais dragagem de manuten\u00e7\u00e3o. Mais custos.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o referente ao terceiro trimestre de 2012 da Revista Brasileira de Recursos H\u00eddricos, os pesquisadores Tiago Zenker Gireli e Rafael Fernandes Vendrame, da Unicamp, chamavam a aten\u00e7\u00e3o num artigo exatamente para esse aspecto.<\/p>\n<p>A dragagem de aprofundamento e alargamento do Canal do Estu\u00e1rio de Santos refor\u00e7a uma tend\u00eancia reconhecida quase por unanimidade entre autoridades e especialistas do setor portu\u00e1rio: a de que Santos v\u00e1 se tornando um porto concentrador de cargas \u2013 um hub port. Isso justifica o esfor\u00e7o financeiro do governo federal nesse projeto de alargamento e aprofundamento: Mais de R$ 200 milh\u00f5es se forem inclu\u00eddos o derrocamento das rochas Tef\u00e9 e Ipanema e a remo\u00e7\u00e3o do navio grego Ais George, naufragado em 1974.<\/p>\n<p>A\u00ed entra o custo da dragagem adicional de manuten\u00e7\u00e3o dessa profundidade e dessa largura.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios pesquisadores indicam naquele artigo que economicamente a profundidade de 15 metros \u00e9 perfeitamente sustent\u00e1vel. Comparam dados de um relat\u00f3rio da Companhia Docas de 2005 que indica perdas de US$ 862 milh\u00f5es pela insufici\u00eancia de calado com R$ 30 milh\u00f5es por ano de custos adicionais de dragagem de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para uma profundidade de 17 metros, objetivo final do projeto e sonho de Santos, a coisa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, as contas s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>Resumo da \u00f3pera: os valores envolvidos e a consist\u00eancia do projeto n\u00e3o admitem descuidos como esse que resultou na surpresa de janeiro.<\/p>\n<p>(*)Paulo Schiff \u00e9 jornalista. E-mail: <a href=\"mailto:prschiff@uol.com.br\">prschiff@uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna O Porto e Suas Quest\u00f5es Paulo Schiff(*) A quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o do calado m\u00e1ximo dos navios que acessam o Porto de Santos em janeiro deixa pelo menos duas quest\u00f5es importantes no ar. 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