{"id":50916,"date":"2012-06-01T00:00:00","date_gmt":"2012-06-01T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/127.0.0.1\/acs\/qualidade-fator-essencial-para-o-brasil-manter-a-posicao-de-lider-mundial-na-exportacao-de-cafe-revista-do-cafe-junho-2012\/"},"modified":"2012-06-01T00:00:00","modified_gmt":"2012-06-01T03:00:00","slug":"qualidade-fator-essencial-para-o-brasil-manter-a-posicao-de-lider-mundial-na-exportacao-de-cafe-revista-do-cafe-junho-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/qualidade-fator-essencial-para-o-brasil-manter-a-posicao-de-lider-mundial-na-exportacao-de-cafe-revista-do-cafe-junho-2012\/","title":{"rendered":"Qualidade, fator essencial para o Brasil manter a posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder mundial na exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 &#8211; Revista do Caf\u00e9 &#8211; Junho de 2012"},"content":{"rendered":"<p>Publicada em:<br \/>Revista do Caf\u00e9, junho de 2012, capa e p\u00e1ginas 6 a 13<\/p>\n<p># XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos<\/p>\n<p>A qualidade \u00e9 um elemento essencial para o Brasil garantir a posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder mundial na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Este foi um dos pontos importantes do XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos, realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Santos (ACS) nos dias 9 e 10 de maio, em Guaruj\u00e1, SP.<\/p>\n<p>O evento, promovido bienalmente desde 1972, sempre na cidade de Guaruj\u00e1, no litoral paulista, teve como tema central Caf\u00e9 do Brasil: Crescimento Planejado \u2013 Qualidade e Volume. O semin\u00e1rio contou com o patroc\u00ednio da INTL FCStone e do Grupo Rodrimar. Os expositores da feira paralela foram a Sacaria Imperial, Ag\u00eancia Estado, CMA, All Quality,&nbsp; Sepetiba Tecon, Centro dos Exportadores de Caf\u00e9 do Brasil (Cecaf\u00e9) e Museu do Caf\u00e9 de Santos.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Santos, Michael Timm, ao falar na abertura, deu \u00eanfase \u00e0 necessidade de planejamento, \u00e0 qualidade e ao volume. O Pa\u00eds produziu 55 milh\u00f5es de sacas de caf\u00e9 e tem previs\u00e3o de alcan\u00e7ar 60 milh\u00f5es. \u201cS\u00e3o n\u00fameros que consolidam o Brasil como o maior produtor e exportador mundial\u201d.<\/p>\n<p>Timm destacou a participa\u00e7\u00e3o de 380 inscritos de 18 pa\u00edses, dos principais mercados importadores. Presen\u00e7as do vice-presidente de Honduras, Samuel Reyes Rendon, da prefeita de Guaruj\u00e1, Maria Antonieta de Brito, autoridades locais e grandes n\u00famero de participantes do Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>DIRETOR DA ANTAQ DESTACA INVESTIMENTOS NA \u00c1REA PORTU\u00c1RIA<\/p>\n<p>O diretor da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq), Pedro Brito, ex-ministro dos Portos, afirmou que, entre os 10 maiores projetos portu\u00e1rios do mundo, tr\u00eas est\u00e3o no Brasil: em 5.\u00ba lugar, a expans\u00e3o do Porto de Santos, com investimentos de US$ 2,9 bilh\u00f5es; em 8.\u00ba lugar o superporto de A\u00e7u, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra, no Estado do Rio de Janeiro, com US$ 1,8 bilh\u00e3o; e em 10.\u00ba lugar a expans\u00e3o do Porto do Rio de Janeiro, com US$ 900 milh\u00f5es. A palestra de Brito abordou Infraestrutura Portu\u00e1ria Brasileira.<\/p>\n<p>Brito adiantou que esses tr\u00eas grandes empreendimentos brasileiros integram um planejamento para melhoria do sistema portu\u00e1rio nacional, que prev\u00ea iniciativas como \u201ca continuidade do Programa Nacional de Dragagem, a expans\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias, navios maiores nas rotas brasileiras, maiores frequ\u00eancias das rotas, viabiliza\u00e7\u00e3o dos portos concentradores, servi\u00e7os p\u00fablicos portu\u00e1rios \u00e1geis e eficientes, melhoria dos sistemas de controle, implanta\u00e7\u00e3o do Porto Sem Papel e economia de escala e redu\u00e7\u00e3o de custos\u201d.<\/p>\n<p>BRASIL CAMINHA PARA AUMENTAR A PRODUTIVIDADE E A QUALIDADE<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Roberto Antonio Thomaziello, pesquisador do Centro de Caf\u00e9 do Instituto Agron\u00f4mico (IAC), da Secretaria de Agricultura do Estado de S\u00e3o Paulo, confia que o Brasil caminha para ampliar a produtividade e qualidade, no sentido de manter e at\u00e9 aumentar a participa\u00e7\u00e3o no mercado mundial. Ele abordou a quest\u00e3o na palestra Situa\u00e7\u00e3o Atual do Parque Cafeeiro Brasileiro e Vis\u00e3o de Futuro, no dia 10 de maio, no XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos.<\/p>\n<p>Outras provid\u00eancias que o mercado cafeeiro no Brasil adota para assegurar a posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a mundial na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, de acordo com Thomaziello, s\u00e3o \u201co crescimento constante da mecaniza\u00e7\u00e3o, o aumento de \u00e1reas irrigadas, a melhoria da gest\u00e3o das propriedades, as tecnologias dispon\u00edveis para suporte ao crescimento, o aumento das certifica\u00e7\u00f5es e a cafeicultura, tanto a familiar, quanto a empresarial, cada vez mais comprometida com as pr\u00e1ticas da sustentabilidade e prote\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Embora exista a bienalidade, ela \u00e9 positiva e mant\u00e9m crescimento constante, segundo Thomaziello. Os fatores relevantes do crescimento s\u00e3o os cltivares de caf\u00e9 com alto potencial produtivo e de alta qualidade, o aumento das \u00e1reas irrigadas, com maior produ\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o da densidade de plantas por hectare e a maior ado\u00e7\u00e3o de podas.<\/p>\n<p>Para manter os n\u00edveis e at\u00e9 ampliar a produ\u00e7\u00e3o, o Brasil tem desafios que precisam ser superados, conforme o pesquisador do IAC, como \u201ca melhor gest\u00e3o das propriedades, a adequa\u00e7\u00e3o das lavouras para mecaniza\u00e7\u00e3o, a capacita\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, o incentivo \u00e0 qualidade e certifica\u00e7\u00f5es, a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, a redu\u00e7\u00e3o de custos e a renova\u00e7\u00e3o de lavouras\u201d.<\/p>\n<p>Em vista das perspectivas de aumento do consumo, tanto em n\u00edvel interno, quanto mundial, os produtores brasileiros disp\u00f5em de uma s\u00e9rie de oportunidades. Thomaziello adianta que uma delas \u00e9 a conquista de novos mercados com caf\u00e9 de qualidade e diferenciados.<\/p>\n<p>CONSUMO MUNDIAL DE CAF\u00c9 DEVE CRESCER PARA 173 MILH\u00d5ES DE SACAS EM 2020<\/p>\n<p>O diretor executivo da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Caf\u00e9 (OIC), o brasileiro Rob\u00e9rio Silva, que fez a \u00faltima palestra do XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos, antecipou que a expectativa de consumo do produto em 2020 dever\u00e1 ser de 173 milh\u00f5es de sacas, o que exigir\u00e1 aumento de 20 milh\u00f5es de sacas na produ\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos oito anos. A palestra foi sobre Produ\u00e7\u00e3o e Consumo Mundial de Caf\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cSe continuarmos a crescer na taxa de 2,5% ao ano verificada no per\u00edodo 2000 a 2010, que, podemos observar, foi a mais alta na hist\u00f3ria recente do caf\u00e9\u201d, acredita Silva, \u201cchegaremos a um consumo de mais de 173 milh\u00f5es de sacas em 2020\u201d. Ele antecipa que uma proje\u00e7\u00e3o de crescimento mais conservadora, de 2% ao ano, levaria a 165 milh\u00f5es de sacas. Por fim, uma proje\u00e7\u00e3o de crescimento mais pessimista, de 1,5% ao ano, implicaria um consumo de mais de 157 milh\u00f5es de sacas em 2020. \u201cOu seja, precisamos expandir a produ\u00e7\u00e3o em 20 milh\u00f5es de sacas, pelo menos, nos pr\u00f3ximos oito anos\u201d.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o na safra 2010\/11 foi de 134,2 milh\u00f5es de sacas e a previs\u00e3o para 2011\/12 \u00e9 de 131,4 milh\u00f5es, cita o diretor da OIC. \u201cA altern\u00e2ncia entre anos de produ\u00e7\u00e3o alta e baixa mostra a forte influ\u00eancia do ciclo bienal brasileiro sobre a produ\u00e7\u00e3o total mundial. Tamb\u00e9m a falta de uma tend\u00eancia din\u00e2mica de crescimento da produ\u00e7\u00e3o mundial, refletindo as conhecidas dificuldades em aumentar a produ\u00e7\u00e3o, mesmo ap\u00f3s v\u00e1rios anos de pre\u00e7os atraentes em compara\u00e7\u00e3o com aqueles praticados durante a \u00e9poca da grande crise no come\u00e7o do s\u00e9culo\u201d.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 cedo para fazer qualquer proje\u00e7\u00e3o sobre o ano cafeeiro 2012\/13 no Brasil, segundo Rob\u00e9rio Silva. \u201cDe concreto, temos a primeira estimativa oficial da safra brasileira, a qual est\u00e1 estimada em uma faixa de 49 milh\u00f5es a 52 milh\u00f5es de sacas, ou seja, um aumento de cerca de 16% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra anterior. Sabemos tamb\u00e9m que as estimativas da safra brasileira divulgadas por outras fontes muitas vezes s\u00e3o superiores \u00e0 oficial. Seja qual for o resultado final, nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o tamanho da safra brasileira n\u00e3o dever\u00e1 exercer um impacto negativo sobre as cota\u00e7\u00f5es, uma vez que existe uma forte demanda pelos caf\u00e9s brasileiros no mercado internacional, o consumo dom\u00e9stico do Pa\u00eds continua a crescer a taxas relativamente altas e h\u00e1 uma necessidade de recompor os estoques, os quais se encontram em n\u00edveis muito baixos\u201d.<\/p>\n<p>O diretor da OIC afirma que h\u00e1 boas raz\u00f5es para acreditar em aumento consistente do consumo mundial do caf\u00e9 para 2011. \u201c\u00c9 importante notar onde ocorre o crescimento do consumo: desde 2000, o consumo mundial aumentou em 31 milh\u00f5es, mas o incremento nos mercados tradicionais da Europa Ocidental, Am\u00e9rica do Norte e Jap\u00e3o foi de apenas 6 milh\u00f5es, uma taxa anual de crescimento inferior a 1%. O grosso \u2013 25 milh\u00f5es de sacas, ou 80% \u2013 do aumento ocorreu nos pa\u00edses produtores e mercados emergentes, onde a taxa de crescimento supera os 4% anuais\u201d.<\/p>\n<p>Rob\u00e9rio Silva lembra que os principais e tradicionais mercados consumidores de caf\u00e9 s\u00e3o os Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e Reino Unido. \u201cEntre estes, o destaque \u00e9 o pa\u00eds sede da OIC, o Reino Unido, cuja transforma\u00e7\u00e3o de um tradicional consumidor de ch\u00e1 continua a passos acelerados, conforme evidenciado pela taxa de crescimento de 2% ao ano. Tamb\u00e9m deve ser destacado o desempenho dos Estados Unidos, onde o mercado cresce a 1,5% ao ano, impulsionado por um crescimento populacional maior do que os outros mercados tradicionais e pelo pujante setor de caf\u00e9s especiais.<br \/>Esses mercados correspondem a quase 51% do consumo mundial\u201d.<\/p>\n<p>O consumo em pa\u00edses produtores de caf\u00e9 conquista relev\u00e2ncia cada vez maior, de acordo com o diretor executivo da OIC. \u201cHoje eles respondem por mais de 42 milh\u00f5es de sacas, um pouco mais de 31% do consumo mundial e crescem rapidamente. Em termos do volume absoluto, o destaque continua sendo o Brasil, que consome quase 20 milh\u00f5es de sacas e deve ultrapassar os Estados Unidos em alguns anos. No entanto, \u00e9 importante ressaltar que o mercado brasileiro j\u00e1 vem amadurecendo e que ser\u00e1 dif\u00edcil manter no futuro taxas de crescimento t\u00e3o altas quanto tivemos nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNesse sentido\u201d, observa Rob\u00e9rio Silva, \u201co desempenho do consumo em outros pa\u00edses produtores \u00e9 encorajador \u2013 vemos aqui v\u00e1rios pa\u00edses com taxas de crescimento superiores a 5% \u2013, o que nos d\u00e1 esperan\u00e7a de que esse movimento positivo perdurar\u00e1. Sempre \u00e9 bom lembrar que parte desse aumento pode ser atribu\u00eddo \u00e0s a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o de consumo feitas pela OIC, sobretudo o Guia Detalhado para Promo\u00e7\u00e3o do Consumo de Caf\u00e9, o qual procura divulgar a experi\u00eancia do Brasil e de outros pa\u00edses no aumento do consumo interno\u201d.<\/p>\n<p>DESAFIOS PARA AMPLIAR A PRODU\u00c7\u00c3O MUNDIAL DE CAF\u00c9<\/p>\n<p>A analista internacional de caf\u00e9 Maja Wallengren, dinamarquesa que vive no M\u00e9xico, observa que, em tempos de crise econ\u00f4mica global, o mundo est\u00e1 bebendo mais caf\u00e9 do que nunca. Por isso, s\u00e3o imensos os desafios para ampliar a produ\u00e7\u00e3o mundial, assunto da palestra Oportunidades de Ouro para os Produtores \u2013 Estar\u00e1 o Caf\u00e9 do Mundo Acabando? no dia 10 de maio, no XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos.<\/p>\n<p>Maja recordou que, nos \u00faltimos dez anos, a produ\u00e7\u00e3o global de caf\u00e9 sofreu perdas, muitas n\u00e3o recuperadas. Citou que a Am\u00e9rica Central e o M\u00e9xico perderam 5 milh\u00f5es de sacas de caf\u00e9 e a maioria n\u00e3o foi reconqusitada. A perda da Col\u00f4mbia foi de 3 milh\u00f5es a 4 milh\u00f5es nos \u00faltimos quatro anos e apenas retomar\u00e1 parte dessa perda \u2013 cerca de de metade \u2013 entre 2012 e 2013. \u201cO Brasil ampliar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o apenas em longo prazo e novas significativas fontes de caf\u00e9 n\u00e3o dever\u00e3o surgir at\u00e9 2014 ou 2015\u201d, antecipa a analista. O Vietn\u00e3 n\u00e3o tem ampliado a produ\u00e7\u00e3o significativamente, estabilizando-se entre 16 milh\u00f5es e 18 milh\u00f5es de sacas por safra, com potencial de 22 milh\u00f5es por volta de 2014 a 2015.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda da \u00faltima d\u00e9cada, Maja lembrou que existe um d\u00e9ficit mundial na produ\u00e7\u00e3o, alertando para as previs\u00f5es para o per\u00edodo de 2012 a 2013. \u201cO Brasil, maior produtor mundial, dever\u00e1 produzir de 53 milh\u00f5es a 55 milh\u00f5es de sacas, com 20 milh\u00f5es para consumo pr\u00f3prio e de 33 milh\u00f5es a 35 milh\u00f5es para exporta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um d\u00e9ficit global que dura cinco anos e caminha para o sexto ano e, apesar da grande colheita brasileira, em 2012\/13, haver\u00e1 aumento do d\u00e9ficit, de 4 milh\u00f5es a 5 milh\u00f5es de sacas\u201d.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio que complica a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cafeeira \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do clima no planeta, alerta Maja Wallengren. \u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o aquecimento global resultando em seca, temperaturas irregulares, chuvas fora de \u00e9poca e pragas\u201d s\u00e3o fatores a dificultar a amplia\u00e7\u00e3o das safras. Ela tamb\u00e9m cita que os financiamentos e cr\u00e9ditos est\u00e3o cada vez mais dif\u00edceis para os produtores, lembra que o custo de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 ascendente e as moedas n\u00e3o est\u00e3o favor\u00e1veis para os produtores no Brasil e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o desafiante, Maja vislumbra oportunidades de ouro. \u201cOs produtores de caf\u00e9 conseguiram, pela primeira vez, poder para influenciar pre\u00e7os e manter parte do controle da cadeia de suprimentos\u201d. Ela tamb\u00e9m comenta que a qualidade \u00e9 a chave para manter a equa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel aos produtores. \u201cA demanda dos consumidores continuar\u00e1 a crescer pelo&nbsp; menos 2 milh\u00f5es de sacas por ano se a qualidade do produto final for mantida por no m\u00ednimo cinco anos, at\u00e9 uns dez anos\u201d.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses com mais chances de aumentar a produ\u00e7\u00e3o significativamente s\u00e3o o Brasil, Vietn\u00e3, Tanz\u00e2nia, Peru, Honduras e Nicar\u00e1gua, de acordo com Maja Wallengren. \u201cO caf\u00e9, por\u00e9m, ter\u00e1 que competir com o cacau, outras commodities e com o desenvolvimento da ind\u00fastria mundial\u201d. No que diz respeito ao Brasil, ela cita o Esp\u00edrito Santo como um estado promissor para ampliar a produ\u00e7\u00e3o cafeeira.<\/p>\n<p>SUSTENTABILIDADE NO CAF\u00c9, DE NICHO AO MERCADO PRINCIPAL<\/p>\n<p>A diretora executiva da Associa\u00e7\u00e3o 4C, Melanie Rutten-Sulz, lembrou que, h\u00e1 25 anos, a sustentabilidade no caf\u00e9 era encarada como um nicho e hoje \u00e9 uma tend\u00eancia do mercado cafeeiro. A palestra dela no Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos foi sobre Associa\u00e7\u00e3o 4C, a Plataforma Cafeeira em Coopera\u00e7\u00e3o com Programas de Sustentabilidade, no dia 10 de maio.<\/p>\n<p>Melanie recordou que 25 anos atr\u00e1s a sustentabilidade era um movimento pioneiro de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) e consumidores cr\u00edticos, com foco em justi\u00e7a social e prote\u00e7\u00e3o ambiental. Com o crescimento da vis\u00e3o sustent\u00e1vel, come\u00e7aram a surgir normas e iniciativas.<\/p>\n<p>A diretora da 4C enfatizou que a consolida\u00e7\u00e3o dessa tend\u00eancia gerou uma ind\u00fastria para sustentabilidade, com preocupa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o da responsabilidade social corporativa a abordagens de projetos para assegurar recursos para as empresas.<\/p>\n<p>Ela citou uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es sobre o caf\u00e9 para mostrar a import\u00e2ncia desse produto. \u201cNo mundo, aproximadamente 25 milh\u00f5es de pessoas vivem dessa mercadoria. Os cafeicultores apresentam desenvolvimento organizacional limitado. A cadeia de fornecimento \u00e9 fragmentada, sem rastreabilidade. Existe alta volatilidade no mercado cafeeiro. \u00c9 um neg\u00f3cio pouco atrativo para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Os produtores n\u00e3o investem o suficiente na produ\u00e7\u00e3o e nas boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. As planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o antigas, com limitada produtividade\u201d.<\/p>\n<p>Os caf\u00e9s sustent\u00e1veis representam 8% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais de caf\u00e9 e 17% da oferta mundial, conforme a diretora da 4C. Quatro pa\u00edses dominam 77% desse mercado: o Brasil, com cerca de 30%, a Col\u00f4mbia, o Peru e o Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>O mercado sustent\u00e1vel de caf\u00e9 continuar\u00e1 a crescer, segundo Melanie, pois a ind\u00fastria necessita de agricultura sustent\u00e1vel. Para isso, \u00e9 importante garantir fornecimento no longo prazo, tanto de qualidade, quanto de quantidade, prover gest\u00e3o sustent\u00e1vel da cadeia de fornecimento, proteger e melhorar a reputa\u00e7\u00e3o das marcas e das empresas muito al\u00e9m do marketing do produto.<\/p>\n<p>Melanie antecipou que, para 2015, a Nescafe tem o compromisso de promover todas as compras diretas de acordo com os padr\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o 4C. Para 2020, a meta da Nescafe \u00e9 de 90 mil toneladas adicionais conforme as normas da Rainforest Alliance. A Kraft promover\u00e1 100% das compras para as marcas europeias de origens sustent\u00e1veis at\u00e9 o fim de 2015. A Sara Lee projeta comprar 20% de caf\u00e9s certificados. A Tchibo prop\u00f5e o \u00edndice de 25%. Atingidas as metas, a expectativa \u00e9 que em 2015 as exporta\u00e7\u00f5es mundiais de caf\u00e9 sejam 25% de origens sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>De acordo com a diretora da 4C, \u201csustentabilidade n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia, mas a base opera\u00e7\u00f5es futuras, n\u00e3o tem mais volta\u201d. H\u00e1 uma press\u00e3o da demanda sobre a oferta, que exige abordagem diferenciada para a cadeia de suprimentos, com mais transpar\u00eancia e rela\u00e7\u00f5es mais estreitas. \u201cS\u00e3o enormes as oportunidades para estabelecer novas parcerias e rela\u00e7\u00f5es comerciais\u201d.<\/p>\n<p>O SEGREDO DO SUCESSO DO CAF\u00c9 HONDURENHO: LEIS PARA INCENTIVAR A PRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O vice-presidente de Honduras, Samuel Reyes Rendon, disse que o segredo do sucesso do caf\u00e9 hondurenho foi a cria\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o para incentivar a produ\u00e7\u00e3o. Em 2003, foram decretadas duas leis para recuperar as perdas econ\u00f4micas: a Lei de Fortalecimento Financeiro do Produtor Agropecu\u00e1rio (Lei 68\/2003) e a Lei de Reativa\u00e7\u00e3o Financeira do Setor Produtor de Caf\u00e9 (Lei 152\/2003). Ele falou sobre Honduras \u2013 Um Caso de Sucesso, no dia 9 de maio, no XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos.<\/p>\n<p>Ainda dentro da proposta de leis para o setor cafeeiro, o governo aprovou o Instituto de Previs\u00e3o do Cafeicultor e a Lei de Pesos e Medidas. Al\u00e9m disso, determinou a data de 1.\u00ba de outubro como o Dia Nacional do Caf\u00e9.<\/p>\n<p>Honduras definiu uma s\u00e9rie de iniciativas para estimular o consumo, como tardes de aroma de caf\u00e9, conv\u00eanios com institui\u00e7\u00f5es para promover o caf\u00e9 e cursos de barista. Al\u00e9m disso, no Exterior, marca presen\u00e7a em feiras internacionais, em pa\u00edses da Europa, nos Estados Unidos, Jap\u00e3o, Taiwan e Coreia.<\/p>\n<p>A marca de caf\u00e9 Marcala \u00e9 a l\u00edder em Honduras e a quarta em n\u00edvel mundial e, para promover o produto, foi criada a indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u201cCaf\u00e9s do Ocidente Hondurenho\u201d.<\/p>\n<p>\u201cHonduras conta com um Programa de Apoio ao Pequeno Produtor\u201d, afirmou Reyes Rendon, \u201ciniciado em 2008, com a proposta de contribuir para a redu\u00e7\u00e3o da pobreza, elevando a produtividade do caf\u00e9 e a gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d. A dura\u00e7\u00e3o do projeto \u00e9 de 10 anos, beneficiando 60 mil fam\u00edlias, com financiamento do Instituto Hondurenho do Caf\u00e9 (Ihcafe) e do Fundo Cafeeiro Nacional.<\/p>\n<p>Dentro dessa pol\u00edtica de est\u00edmulo, est\u00e1 o Programa Agroflorestal e de Ambiente, de acordo com o vice-presidente, e que envolve assessoria t\u00e9cnica para estabelecimento de viveiros e planta\u00e7\u00f5es florestais, capacita\u00e7\u00e3o em quest\u00f5es ambientais, servi\u00e7os para obten\u00e7\u00e3o de certificados, facilita\u00e7\u00e3o de tr\u00e2mites florestais, al\u00e9m de implementa\u00e7\u00e3o da Nova Lei Florestal em apoio aos t\u00e9cnicos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Para garantir a qualidade, Honduras mant\u00e9m o Centro Nacional de Qualidade do Caf\u00e9, em S\u00e3o Pedro Sula, lembrou o vice-presidente. Em 2004, foi institu\u00eddo o Pr\u00eamio de Excel\u00eancia e, em 2012, um Novo Pr\u00eamio de Excel\u00eancia.<\/p>\n<p>Quanto aos recursos humanos, foi criada a carreira de t\u00e9cnico universit\u00e1rio de controle de qualidade do caf\u00e9.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m desenvolveu programas especiais de apoio ao produtor, com linhas de cr\u00e9dito para aquisi\u00e7\u00e3o de fertilizantes, amortiza\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas com bancos, insumos de produ\u00e7\u00e3o, secadores solares, diversifica\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de propriedades.<\/p>\n<p>O vice-presidente alertou que, em Honduras, o caf\u00e9 tem import\u00e2ncia social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e ambiental, com 27,2% do PIB e 3,2% do PNB e \u00e9 hoje o principal produ\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, com divisas de US$ 1,22 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Reyes Rendon comentou que, no aspecto social, o caf\u00e9 gera 1 milh\u00e3o de empregos, evita a migra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do campo para a cidade e tem 110 mil produtores, dos quais 92% de pequenos produtores.<\/p>\n<p>Na safra de 2010\/11, a produ\u00e7\u00e3o hondurenha de caf\u00e9 foi a primeira em divisas de exporta\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Central, a terceira na Am\u00e9rica Latina e a sexta no mundo.<\/p>\n<p>Com 5 milh\u00f5es de sacas exportadas, o pa\u00eds \u00e9 considerado o Rei do Caf\u00e9 da Am\u00e9rica Central. A meta para 2011\/12 \u00e9 de exporta\u00e7\u00e3o de 6 milh\u00f5es de sacas.<\/p>\n<p>GERENCIAMENTO DE RISCOS, UMA NECESSIDADE<\/p>\n<p>O diretor de Soft Commodities da INTL FCStone, Oscar Shaps, abordou a import\u00e2ncia de as empresas do setor cafeeiro definirem uma pol\u00edtica de gerenciamento de riscos, para n\u00e3o sofrer grandes surpresas com a volatidiade de pre\u00e7os no mercado de commodities. Shaps falou sobre o assunto na palestra Gest\u00e3o de Riscos e Como Construir um Portfolio Baseado nas V\u00e1rias Ferramentas do Mercado.<\/p>\n<p>A INTL FCStone \u00e9 uma empresa de gest\u00e3o de riscos que administra o risco das empresas, utilizando as ferramentas do mercado de commodities, com o objetivo de aumentar as margens de lucro e possibilitar que os executivos se concentrem no foco do neg\u00f3cio. Ela atende mais de 20 mil clientes em mais de 100 pa\u00edses por meio de uma rede de filiais em todo o planeta.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/127.0.0.1\/acs\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/2012-06-junho-revista-cafe-p1.pdf\">Confira a capa da Revista do Caf\u00e9<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/127.0.0.1\/acs\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/2012-06-junho-revista-cafe-p6-13.pdf\">Confira a reportagem<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicada em:Revista do Caf\u00e9, junho de 2012, capa e p\u00e1ginas 6 a 13 # XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de Santos A qualidade \u00e9 um elemento essencial para o Brasil garantir a posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder mundial na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Este foi um dos pontos importantes do XIX Semin\u00e1rio Internacional de Caf\u00e9 de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[98],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50916"}],"collection":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50916"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50916\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acs.org.br\/academy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}