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04/01/2012

A urgência de inovar na gestão da educação

Luiz Vicente Rizzo - Diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein

Começamos um novo ano e todos pensam em suas resoluções. Em um país em pleno desenvolvimento, podemos notar muitas mudanças quanto àquilo que a sociedade deseja.

No entanto, nunca se falou e se necessitou tanto investir na educação e no aprimoramento da formação, base do desenvolvimento e fundamental para o apoio à ciência.

Na reportagem "Para as empresas, educação já é um gargalo" publicada ontem neste jornal, percebemos que, apesar de o sistema educacional estar em colapso, talvez seja possível contar com a experiência de empresários e gestores para poder capacitar seus próprios funcionários.

Mas infelizmente este benchmarking não bastará. É preciso aproveitar as próximas alterações previstas no governo para que seja possível inovar no que diz respeito à gestão da educação no país.

O desafio de inovar é sempre grande. Trocar o conhecido, e muitas vezes eficiente, pelo desconhecido implica uma série de atitudes contraintuitivas para o ser humano.

Implica incerteza, aprendizado e confiança. Inovar em gestão é ainda mais difícil que inovar em atividades técnicas como um procedimento médico, por exemplo.

Discorro sobre a área de saúde e pesquisa, meu território, mas isso ocorre também em outras: os profissionais ascendem à condição de gestores, em geral, depois de anos "nas trincheiras" e isto tende a trazer consigo a experiência do que foi bem sucedido. O segredo está no tempo verbal. O que foi nem sempre será.

Como conduzir o processo criativo e a busca de resultados em um ambiente revolucionário como o de pesquisa? Como exercer o mesmo papel em um ambiente conservador como o de saúde? Como conciliar ambas as características na pesquisa em saúde?

Há iniciativas interessantes tanto na Europa, no Instituto Gulbenkian de Ciências, por exemplo, quanto nos Estados Unidos, no Instituto Salk, e na Ásia, no Instituto A-Star de Cingapura.

O que estas iniciativas têm em comum são a valorização dos processos de criação e a instrumentalização do jovem. O jovem cientista encara desafios complexos, como a conciliação da vida pessoal e profissional, o que faz do ambiente de trabalho um grande desafio.

Gerenciar as expectativas próprias e de outros também é importante no balanço entre a cobrança natural de qualquer atividade por resultados e o imediatismo, muito comum em atividades que envolvem dinheiro.

A mudança do perfil das gerações que parece ter se acelerado ultimamente (ou será sinal do avanço na minha idade?) também constitui um desafio importante na gestão.

Os centros de pesquisa citados têm feito grande sucesso inovando na maneira de tratar estas questões.

Seja através de planos de prazos maiores para o desenvolvimento do pensamento, seja nos planos de contratações de pesquisadores que pensam "fora da caixa" para completar quadros de brilhantes cientistas que trabalham no mainstream.

Mas a principal característica destes centros e de seu sucesso é o fortalecimento e a valorização do inovador. Percebeu-se que o que fizemos até agora em ciências da saúde atingiu seu potencial criador, vide o exemplo das vacinas.

E assim como na física, com a criação da física quântica, precisamos de uma mudança de paradigma. Assim, inovar em gestão científica parece significar inovar ao quadrado.

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Luiz Vicente Rizzo é diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein

Fonte: Brasil Econômico - 4/1/2012

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