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Santos, SP/

04/05/2011

A revolução na escola segundo Ozires Silva

Ricardo Galuppo - Diretor de redação do Brasil Econômico

Algumas pessoas parecem ter o dom de enxergar anos à frente e de apontar caminhos que podem acelerar nossa jornada em direção ao futuro. É gente com visão empreendedora para propor soluções criativas e viáveis num mundo em permanente transformação.

Nessa categoria está, em posição de destaque, o engenheiro Ozires Silva. Aos 80 anos de idade, o homem que ousou acreditar na possibilidade de o Brasil construir aviões, e que, 40 anos atrás, fundou a Embraer, acredita que o país só vai aspirar à condição de líder global de primeira grandeza no dia em que apostar para valer na educação.

Muita gente pensa assim e, tanto quanto ele, insiste nessa necessidade. Até aí, tudo bem. A diferença é que Ozires Silva vê a cena não apenas pelo ponto de vista das políticas educacionais que conduzirão ao objetivo mas, também e principalmente, pelo lado mais pragmático da questão.

Ele entende que é preciso encontrar, com urgência, uma forma de financiar a revolução de que o país necessita.

Antes de passar daqui, convém deixar claro que o engenheiro, que sempre estudou em escolas públicas, vê a questão com os olhos de reitor da Unimonte (uma instituição de ensino da cidade paulista de Santos), cargo que ele ocupa desde 2008.

Assim, pode ser considerado parte interessada na solução que ele mesmo propõe. Vamos, então, supor que ele seja movido apenas pelos interesses da instuição que dirige. Ainda que fosse o caso (e quem o conhece sabe que não é), Ozires estaria coberto de razão ao apontar algumas distorções absurdas no modelo brasileiro de educação.

Está mais do que provado, pelos dados do próprio Ministério da Educação, que a rede pública não tem capacidade material de gerar vagas de qualidade em quantidade suficiente para suprir as necessidades do país. O problema é que as instituições privadas de ensino são gravadas com uma taxa de impostos elevada.

Para piorar, até as doações privadas feitas às instituições de ensino precisam pagar um pedágio de 4% ao governo antes de chegar ao destino. Nos Estados Unidos, a prática é estimulada e quem faz doações para instituições de ensino recebe, inclusive, vantagens fiscais.

No Brasil, isso não acontece. Ozires entende que, se o governo quer mesmo eleger a educação como prioridade e proporcionar uma educação que capacite a população a disputar as melhores vagas, deve repensar a maneira com que tributa as instituições de ensino.

Faz sentido. Embora sejam empresas e, como tal, tenham o direito legítimo ao lucro, as escolas não podem ser vistas como negócios comuns.

O governo pode até estabelecer critérios de desoneração em função da qualidade do ensino oferecido. O que não pode é continuar tratando essas instuições como se fossem, com todo respeito, lojas de material de construção ou armarinhos.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico

 

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