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Santos, SP/

08/06/2011

A queda aguardada

Ricardo Galuppo - Diretor de redação do Brasil Econômico

Antonio Pallocci não foi o primeiro nem será o último ministro de Estado no Brasil a perder o cargo em função de algum escândalo - e é um erro monstruoso considerar sua saída da Casa Civil como um problema do governo Dilma Rousseff.

Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, para citar dois craques da política, também tiveram que abrir mão de nomes de sua estrita confiança em função de escândalos de maiores ou menores proporções.

Fernando Henrique dispensou auxiliares de seu círculo mais próximo, como Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Rezende e Eduardo Jorge Caldas.

No governo Lula, para citar apenas dois, o próprio Palocci (então ministro da Fazenda) e José Dirceu também deixaram o governo em função de situações parecidas com esta que custou o posto do ministro que era, até dias atrás, apontado como o mais poderoso do governo.

Não. Nenhum dos nomes citados - nem o próprio Palocci na situação anterior - deixou o governo sob a acusação de enriquecimento inexplicável.

O que há de semelhante em todas essas situações é de outra natureza: chega um momento em que o custo da manutenção de um auxiliar, por mais importante e estratégico que ele seja, torna-se alto demais.

Os "aliados" começam a fazer chegar ao Executivo pedidos disso e daquilo em troca do apoio à permanência do ministro. O tema começa a reverberar, a opinião pública (que não tem os políticos em conta elevada) se manifesta e o tom dos questionamentos aumenta.

Nessa hora, o Congresso paralisa seus trabalhos e a única saída para o governo passa a ser a remoção do problema. Um ministro sob ataque cerrado é como tumor. Precisa ser removido para não contaminar o organismo inteiro.

A culpa não é do governo Dilma. A culpa, naturalmente, é de um sistema no qual a linha que separa governo e oposição depende mais da conveniência das "forças políticas" do que de um compromisso de longo prazo, no qual os apoiadores se comprometem com o programa que ajudou a elegê-los.

O único político que, nos últimos dias, teve a coragem de defender Palocci em público foi o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É, convenhamos, o tipo de apoio que mais empurra do que segura um político em seu lugar.

O destino do ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci já estava traçado havia algum tempo e a única explicação para sua sobrevida de mais alguns dias no cargo foi a demora do governo em encontrar uma solução que cumprisse as condições essenciais.

Era preciso encontrar uma saída que tivesse o estilo da presidente Dilma Rousseff (que havia trabalhado com a escolhida para substituir Palocci, Gleisi Hoffmann, na equipe de transição do primeiro governo Lula, em 2002).

Era preciso encontrar alguém que em nada fizesse lembrar a passagem de Palocci pelo posto. Era preciso, finalmente, encontrar alguém que não tivesse, em seu passado, ligações diretas ou indiretas com escândalos.

A crise gerada por Palocci termina com seu afastamento. Agora, "as forças políticas" terão que se articular até encontrar outro flanco que possam atacar para ampliar seu espaço no governo.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 8/6/2011
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