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Santos, SP/

18/04/2011

A que interesses o governo deve obedecer

Costábile Nicoletta - Diretor Adjunto do Brasil Econômico

Na terça-feira passada, 12 de abril, ao responder à pergunta formulada pelo repórter Pedro Venceslau, do Brasil Econômico, sobre como avaliava a política econômica da presidente Dilma Rousseff nos 100 dias de governo, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) disse o seguinte: "O Guido Mantega (ministro da Fazenda) está perdidaço e andando de um lado para outro como peru em véspera de Natal que ingeriu cachaça".

"Está preso em dilemas que não consegue resolver. Os cortes são para valer? Dilma anunciou desoneração tributária da folha de pagamento há três meses como a primeira fatia do projeto de reforma tributária. Cadê o projeto? Estou esperando a primeira fatia do salame até agora", continuou.

O parlamentar tucano resumia a opinião de grande parte do mercado financeiro, não apenas dos partidos que fazem oposição ao governo.

Na quinta-feira passada, 14 de abril, antes de participar em Washington, nos Estados Unidos, de uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), Mantega defendeu a estratégia do governo para mitigar a valorização do real, mas admitiu que combinar isso com o combate à inflação é difícil.

O ministro negou que esteja tomando medidas a conta-gotas e explicou por que está sendo prudente: "Você não explode uma bomba nuclear, porque senão os efeitos colaterais serão piores que as medidas em si".

Analisar o problema pelos extremos nunca é uma boa saída. O mercado financeiro e a oposição costumam criticar quando o governo usa a Petrobras para segurar o preço dos combustíveis.

O argumento é que, agindo assim, o Estado prejudica os demais acionistas da estatal - sim, mesmo sendo de capital aberto, a Petrobras é controlada pelo governo, seu principal acionista, com todos os aspectos favoráveis e desfavoráveis que isso acarreta.

E é improvável que tanto a oposição quanto o mercado financeiro desconheçam esses aspectos. Desde que tudo seja feito às claras, é legítimo que o governo interfira numa estatal para salvaguardar os interesses de todos os brasileiros, e não do mercado financeiro.

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Costábile Nicoletta é diretor adjunto do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 18/4/2011
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