12/04/2011

A nova postura do FMI em relação ao Brasil

Editorial

Sempre muito duro, as vezes até cruel, nas avaliações sobre a política econômica do governo brasileiro, quando o país vivia com o pires na mão para fechar suas contas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) parece estar adotando postura mais branda em relação ao Brasil.

É o que se constata ao comparar os comentários da instituição divulgados ontem no relatório trimestral sobre perspectivas econômicas globais, com opiniões de analistas, em que estes se mostram bem mais pessimistas.

O relatório mantém a previsão de crescimento de 4,5% para este ano, enquanto entre analistas as projeções já indicam percentuais menores, de até 4%.

O curioso é que o FMI não viu motivos para corrigir sua avaliação anterior, posição que contrasta com as dos técnicos, inclusive os ouvidos na pesquisa Focus do Banco Central, cujos índices vem sendo reduzidos gradualmente nas últimas semanas.

No caminho oposto, os analistas aumentam a previsão de inflação, indicando que a taxa poderá atingir o pico da meta, de 6,5% ao ano já no final desde mês. Mais ponderado, o Fundo prevê 6,3% para 2011 e arrisca uma desaceleração para 4,8% em 2012.

Mas é na estratégia para conter as seguidas valorizações do real frente ao dólar que as avaliações são mais antagônicas. Há um consenso de que as as medidas relativas ao câmbio têm sido inócuas, e estão dificultando o combate à inflação.

"As taxas de câmbio deveriam continuar atuando como absorventes de choque", diz o documento do FMI, sugerindo que a valorização da moeda, como no caso do real, não deve ser vista como inteiramente negativa.

Coincidentemente, o Morgan Stanley distribuiu relatório aos clientes, ontem, afirmando que o dólar deve se aproximar de R$ 1,40 no curto prazo. Ou seja, a depender do maior banco de investimento do mundo, a posição do real como moeda valorizada pode ser considerada irreversível.

Em outro trecho o relatório do FMI lembra a "importância sistêmica" do Brasil na América do Sul. "O forte crescimento da Argentina deve-se em parte à demanda brasileira", afirma o economista do Fundo, Jorg Decressin, citado pela agência AFP. A seguir, alerta que uma queda inesperada atividade econômica do Brasil colocaria em risco as economias de toda a região.

Fonte: Brasil Econômico - 12/4/2011
Voltar

Leia também

CAFÉ: Exportação dos Cafés do Brasil atinge 29,7 milhões de sacas no acumulado de nove meses

ECONOMIA: Selic deverá atingir 8,75% para controlar a inflação

PETRÓLEO E GÁS: Produção de petróleo e gás no pré-sal é recorde em setembro

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site, de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.