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Santos, SP/

22/12/2011

A mudança virá com o fim do motor a explosão

Luciano Martins Costa - Jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade

A busca por combustíveis limpos, a partir de variadas fontes com base em matéria-prima renovável, é um ponto crucial no processo de adaptação dos sistemas de transporte às urgências ambientais.

A dificuldade para a estabilização dos preços e o fornecimento do etanol, grande promessa dos últimos anos, estende a demanda por alternativas e cria grandes oportunidades para investimento.

Como em tudo no ambiente das empresas, também os negócios ambientalmente corretos precisam gerar resultados financeiros para se consolidar.

Algumas dessas inovações repetem e aprimoram processos conhecidos há muitos anos, num tempo em que havia falta de derivados de petróleo. O Brasil é conhecido pela tecnologia de origem agrícola, e esse é um dos raros campos em que o país se destaca em termos de inovação.

Uma das iniciativas mais instigantes é o projeto liderado pela TAM Transportes Aéreos, de produção de combustível para avião à base de pinhão-manso. Em fase avançada de testes, esse biocombustível pode vir a impactar em até 20% os custos da aviação comercial.

No entanto, observa-se que o modelo de negócio que dá sentido à maioria das iniciativas no campo dos chamados combustíveis alternativos ainda guarda grande dependência do sistema dominado pelos combustíveis fósseis.

Os preços e a disponibilidade do etanol e do biodiesel ainda são fortemente influenciados pela matriz do petróleo. Em tudo essas iniciativas se caracterizam como tecnologias de transição e nenhuma tem potencial para assumir o papel de matriz.

Mas, muito além de representar curiosidades tecnológicas, alguns casos, como o gás veicular originado na decomposição do lodo de esgoto, mostram como é possível construir sistemas de abastecimento paralelos ao da indústria petrolífera.

Trata-se de fator considerável no processo de redução da dependência econômica do petróleo. Isoladas, tais iniciativas são promessas que não se cumprem, no sentido de constituírem realmente um novo sistema.

No entanto, é possível compor sistemas integrados, com a combinação de combustíveis variados, ofertados conforme as vocações regionais do país.

Enquanto não se vislumbra um produto capaz de substituir o combustível fóssil, é importante registrar os esforços pela busca de fontes limpas e renováveis. O ser humano seguirá por muito tempo viajando em caixas de metal e plástico junto a um tanque de líquido ou gás altamente explosivo.

Mesmo que sua queima não produza grandes quantidades de gases do efeito estufa, o transporte do combustível, seu peso relativo ao da carga útil e o espaço que ocupa são elementos de baixa sustentabilidade. A inovação que vai transformar radicalmente a indústria de transportes não tem a ver com motores a combustão.

Sistemas propulsores elétricos ou híbridos são o que se pode considerar o ponto de mutação capaz de tirar a humanidade dessa dependência. A oferta crescente de novos materiais, empregados na fabricação de baterias mais duráveis e com menores dimensões e de motores elétricos mais eficientes, aponta para a verdadeira ruptura.

Mas resta o desafio de substituir o transporte individual por sistemas coletivos seguros e confortáveis.

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Luciano Martins Costa é jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade

Fonte: Brasil Econômico - 22/12/2011

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