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Santos, SP/

13/04/2011

A invenção da pólvora

Ricardo Galuppo - Diretor de redação do Brasil Econômico

Embora muitos considerem uma espécie de invenção da pólvora a aposta no mercado interno como saída para o desenvolvimento, é forçoso reconhecer: a ideia não é original. Antigamente, era até mais radical.

O país vivia um aperto cambial crônico e tudo o que obtinha em troca das exportações era usado para comprar petróleo.

Por falta de recursos para importar, havia o entendimento de que empresas brasileiras deveriam produzir com tecnologia, mão de obra e matéria-prima locais e abastecer o país.

Tudo o que era consumido aqui deveria ser produzido aqui mesmo. Seja como for, a opção por não importar um único parafuso criou uma barreira entre o Brasil e o mundo e foi responsável pelo atraso que ainda está longe de ser superado.

Por trás da inapetência do Brasil no uso de computadores, por exemplo, está a Lei da Reserva de Mercado da Informática. Nos anos 1980, enquanto os computadores ganhavam o mundo, os brasileiros não podiam comprar equipamentos modernos feitos em outros países; só as traquitanas feitas no Brasil.

Nesse caso, muita gente espertalhona ganhou dinheiro fácil. Houve, no entanto, situações em que a obrigação de olhar para dentro estimulou devaneios e levou empresários sérios à ruína.

Ninguém duvida que Augusto Trajano do Amaral Gurgel tenha sido um grande empreendedor - mas a ideia de criar um carro 100% brasileiro, o BR-800, nos anos 1980, levou sua montadora, a Gurgel, à falência.

A CBT, de Mário Pereira Lopes, foi uma grande fabricante de tratores agrícolas. Até resolver criar um motor próprio para equipar suas máquinas. Faliu de forma estridente nos anos 1990.

Exemplos como esses devem ser lembrados neste momento em que o país chega a um ponto decisivo. Movido a salário farto e crédito caro, o país tem, sim, se apoiado no mercado interno para crescer.

Só que o ciclo já não é completo. Ao contrário do cenário de 20 anos atrás, a indústria está exposta a uma competição desigual: arca com custos desumanos para competir com artigos importados a preço de banana.

É necessário encontrar formas civilizadas de evitar que o Brasil sofra, no mercado aberto, perdas industriais semelhantes às que sofreu no tempo do mercado fechado.

Os acordos que a presidente Dilma Rousseff está assinando na China (país onde é muito apropriado falar em invenção da pólvora) podem ser um primeiro passo nessa direção. Passou da hora de o país decidir se quer ou não quer ter uma indústria competitiva e moderna.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 13/4/2011
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