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Santos, SP/

11/05/2011

A economia avança, mas as ideias recuam

Ricardo Galuppo - Diretor de redação do Brasil Econômico

Participei ontem, em São Paulo, de um almoço promovido pelo Experience Club, no qual compartilhei a mesa com André Loes, economista-chefe do HSBC. Na plateia, cerca de 40 presidentes de empresas de grande relevância.

Numa exposição profunda e clara, Loes traçou um cenário que, na maioria dos pontos, coincide com a visão de outros analistas sobre o destino da economia brasileira.

Ele diz que a inflação seguirá dando trabalho ao longo de 2011 e entende que o câmbio continuará apreciado. Os problemas, é claro, merecerão atenção da autoridade monetária e, assim, não representarão, ao final das contas, uma ameaça capaz de desviar o país da rota do crescimento. Loes se mostra otimista.

A maioria dos analistas acha que o país deverá se dar por satisfeito caso consiga acrescentar ao longo deste ano mais 4 pontos percentuais ao PIB. Bancos de primeira linha apostam num crescimento mais modesto, de 3,8%. Loes não se espantará diante de uma taxa próxima ou um pouco acima de 5%.

A razão do otimismo está nos preços das commodities: pode ser que não evoluam nos próximos anos no ritmo da última década. Mas permanecerão altos e continuarão injetando recursos na economia.

O cenário é virtuoso e, naquilo que depende do potencial da economia e das expectativas do setor privado, está cada vez mais claro que o país tem chances reais de ir adiante. Estamos, então, no melhor dos mundos, certo? Quem dera!

De nada adiantará os economistas traçarem cenários de crescimento e os empresários continuarem investindo se não houver uma rápida evolução em mentalidades que parecem empacadas no século passado. Ontem foi divulgado que o Cade, órgão que cuida da concorrência no Brasil, quer porque quer impedir a fusão da Sadia com a Perdigão.

As duas líderes do mercado brasileiro de alimentos querem se transformar numa só companhia. Para isso precisam da anuência do órgão. O problema é que o Cade acha que esse movimento será lesivo ao consumidor.

Todo zelo é pouco numa questão tão delicada, mas, nessa questão específica, os obstáculos à fusão são de uma miopia assustadora. Quanto atraso, meu Deus! Precisamos paciência para mostrar ao Cade que o mundo mudou e a competição não se dá mais entre um pequeno frigorífico da cidade catarinense de Concórdia (berço da Sadia) e uma granja da cidade de Videira (berço da Perdigão), no mesmo estado.

A briga é com gigantes internacionais da indústria de alimentos, que podem invadir o Brasil com seus produtos caso os preços da BRF (nome da nova empresa) não sejam interessantes para o consumidor.

Por essa mesma razão - escala -, a BRF precisa ser grande para competir no exterior.

Defender ideias de bom senso é difícil num país onde há pessoas que se recusam a evoluir. Mas o cenário geral é de otimismo, e isso nos mostra que, no fim das contas, chegaremos lá.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 11/5/2011
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