17/01/2011

Como formar o mestre das profissões

Lélia Chacon - Jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim

"... o professor é fundamental para o progresso de qualquer sociedade. Sob sua responsabilidade, formam-se vários profissionais, ... a profissão de professor é muitas vezes apelidada de ‘profissão das profissões'. Entretanto, só isto não basta... É preciso olhar para o professor com olhos de quem quer ver um país melhor".

O texto acima foi o enunciado da prova de redação do vestibular 2011 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), encerrado na semana passada.

Os candidatos, apoiados em dados de uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, foram desafiados a comentar a redução no interesse dos jovens pela profissão de professor e a oferecer argumentos a respeito da (des)valorização dos mestres.

A qualificação do professor, embutida no tema, é hoje um dos principais gargalos da educação e do desenvolvimento do país, concorda a educadora Lucília Bechara Sanchez, diretora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz (ISE), na capital paulista.

Na educação básica, as escolas Vera Cruz já são referência tradicional de ensino de qualidade no setor privado e, em avaliação recente do MEC, a instituição foi reconhecida por oferecer também o melhor curso de graduação em pedagogia do Brasil. Por quê? Qual o diferencial, a proposta inovadora do ISE na formação de professores? "É preparar um educador, o que antecede o professor", resume a diretora.

Na prática, o curso superior de pedagogia do ISE convoca seus alunos a responder, na hora da seleção e durante a formação, à questão colocada no vestibular UFRGS, mas de maneira inversa: Por quê você quer ser um educador?

Não é uma pergunta explícita, mas colocada de diversas formas ao longo do curso como estratégia para mostrar ao aluno todas as dimensões e aspectos da responsabilidade de educar: gostar de ensinar, de transmitir valores, princípios, experiências e informações para o crescimento de um indivíduo.

"O maior compromisso de um educador é despertar o educando para a importância do conhecimento. É o sentido da educação, e essa compreensão desenvolve a responsabilidade, o valor e principalmente a paixão por ensinar", afirma Lucília.

Picado pela mosca da educação, o futuro mestre poderá então buscar formações específicas e complementares para ser um bom professor de português, matemática, informática ou arte.

Lembra a educadora que o médico tem formação em Medicina antes de escolher ser um cardiologista ou o advogado em Direito antes de atuar defendendo empresas ou trabalhadores.

"É a dimensão que norteia a formação de professores em países europeus e também nos Estados Unidos. Precisa ser retomada aqui para inspirar as políticas públicas de qualificação do professor", defende Lucília, ressaltando outros cuidados igualmente essenciais: gestão político-pedagógica da escola, gestão do conhecimento na sala de aula, espaço de aprendizado para o professor, avaliações regulares e, claro, boa remuneração.

Todo um esforço centrado no exercício do magistério para gerar qualidade na educação - "aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou", numa ótima definição atribuída ao cientista Albert Einstein.

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Lélia Chacon é jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim

Fonte: Brasil Econômico - 17/1/2011
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