Plano da Petrobras recebe críticas

O plano de negócios 2011-2015, divulgado pela Petrobras na sexta-feira, continuou sendo alvo de críticas por parte de analistas. Eles elogiam o ganho de importância do segmento de exploração e produção dentro do planejamento de aportes da companhia, mas mantêm ressalvas ao volume de recursos destinados ao refino e alertam para a redução na geração de caixa prevista.

A estatal ressalta que a geração de caixa de 2011 a 2015 ficará entre US$ 125 bilhões e US$ 148,9 bilhões, abaixo dos US$ 155 bilhões previstos no plano 2010-2014, o que levou a críticas de analistas.

Para o Credit Suisse, em relatório assinado pelo analista Emerson Leite, o foco em exploração e produção - que terá direito a 57% dos recursos previstos no plano divulgado na sexta-feira, contra 53% no programa anterior - não significou uma geração de caixa maior, "reforçando nossa tese de que os retornos estão caindo".

O Deutsche Bank segue linha semelhante e os analistas Marcus Sequeira e Luiz Fonseca se dizem "desapontados", em relatório enviado ontem a clientes, com o fato de os investimentos em refino terem se mantido e com o corte de 19% na estimativa de fluxo de caixa, "apesar das metas mais elevadas de produção".

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ressaltou ontem, na primeira apresentação pública do novo plano de negócios, as razões que levaram à queda na projeção do fluxo de caixa.

O executivo lembrou que uma curva de crescimento de produção "mais apertada" e o aumento dos custos operacionais em todo o mundo na exploração e produção e no refino, além da valorização do real, contribuíram para a queda na estimativa do fluxo de caixa na comparação entre os planos de negócios 2010-2014 e 2011-2015. Mesmo assim, Gabrielli destacou que, em qualquer cenário traçado pela empresa, a relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) não vai superar 1,9 vez.

"Estamos em faixa bastante confortável, mesmo nesses dois intervalos", disse, lembrando que o melhor cenário, para uma geração de caixa de US$ 148,9 bilhões até 2015, incorpora uma relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 1,5 vezes.

Gabrielli também confirmou que a empresa realizará desinvestimentos de até US$ 13,6 bilhões para ajudar na obtenção de recursos para investir. A empresa pretende realizar a venda de participações em blocos exploratórios, a alienação de fatias em companhias controladas pela estatal e a adequação da gestão de ativos financeiros.

O diretor financeiro e de relações com investidores, Almir Barbassa, frisou que uma das medidas de adequação dos ativos financeiros é a aposta no programa Progredir, no qual um sistema criado entre a Petrobras e os seis principais bancos de varejo do país permite que os fornecedores da petroleira garantam recursos mais baratos, sem precisar da antecipação de recursos, mecanismo usado até então.

"Com isso, reduzimos o custo do financiamento para a cadeia, liberando recursos da Petrobras e reduzindo o custo do produto que compramos", disse Barbassa.

A maior parte dos desinvestimentos, exceção feita à melhora da gestão de ativos financeiros, deverá se dar no exterior, segundo Gabrielli, que evitou antecipar quais ativos poderão ser vendidos. Segundo ele, o processo deverá começar "o mais breve possível".

O diretor da área internacional da estatal, Jorge Zelada, explicou que o desinvestimento é na verdade uma gestão de portfólio que sempre foi realizada, mas nunca havia sido divulgada anteriormente dentro de um plano de negócios.

"A maior parte dos desinvestimentos de ativos no exterior são vendas parciais de participação", disse Zelada.

Gabrielli afirmou ainda que a retirada de US$ 10,8 bilhões em projetos no plano 2011-2015 foi consequência de uma arrumação normal de portfólio.

Na área de abastecimento, que inclui petroquímica e cujos investimentos são constantemente criticados pelo mercado, a redução será de US$ 4,3 bilhões, decorrente principalmente da exclusão de projetos como a tancagem de óleo combustível para térmicas e a logística de querosene de aviação em Brasília. Além disso, a Refinaria Premium, no Maranhão, será postergada e começará a operar em 2016 e não mais em 2014, como previsto anteriormente.

As ações da companhia subiram 2,4% ontem na bolsa.

Rafael Rosas, Juliana Ennes e Cláudia Schüffner | Do Rio

Fonte: Valor Online - 26/7/2011

                                       





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