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Murillo de Aragão - Cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas

A presidente Dilma Rousseff, em recente viagem à China, anunciou que a multinacional taiwanesa Foxconn fará um investimento de US$ 12 bilhões no Brasil no prazo de cinco anos para montar uma nova fábrica de componentes, que produzirá tablets e celulares no país.

O presidente da companhia, Terry Gou, encontrou-se com a presidente e anunciou a intenção de fazer a nova fábrica, que deve gerar cerca de 100 mil empregos diretos, dos quais 20 mil engenheiros e 15 mil técnicos.

De acordo com informações veiculadas na imprensa, a empresa Foxconn estabeleceu um pacote de exigências para confirmar o investimento. Os pré-requisitos são amplos, detalhados e abrangentes.

Vamos a eles: infraestrutura para montar o complexo industrial com oferta de redes de fibra ótica e malha rodoviária; incentivos e isenções fiscais; processos burocráticos rápidos; regime alfandegário diferenciado para seus produtos; prioridade em portos e aeroportos, com terminais dedicados; e, ainda, ajuda para encontrar sócios nacionais minoritários para o investimento.

De acordo com a Agência Estado, uma medida provisória que reduz a tributação dos tablets fabricados no país deve ser encaminhada ao Congresso ainda nesta semana. A previsão, ainda de acordo com a Agência, é que os tablets sejam equiparados aos notebooks, o que reduzirá o preço dos equipamentos em cerca de 30%.

Diante das exigências, a presidente Dilma Rousseff nomeou um grupo de trabalho composto por representantes dos ministérios do Desenvolvimento Industrial, Ciência & Tecnologia e Fazenda, entre outros organismos governamentais, para avaliar a possibilidade de atendê-las.

Talvez, entidades empresariais e de trabalhadores também devessem participar do grupo de trabalho. Até mesmo para saber exatamente o que favorece e/ou atrapalha a escolha do Brasil como destino de tais investimentos.

A Foxconn age de maneira firme e pragmática. Caso o Brasil não possa atender às suas solicitações, vai procurar outro lugar. México, Argentina e outros países da América Latina estão disputando o investimento e vão oferecer incentivos e estímulos.

A atitude e a determinação dos chineses deveriam inspirar os empresários brasileiros a fazer o mesmo: exigir melhores condições para investir, ajuda para encontrar sócios, crédito justo e sem a intermediação de bancos, redução da carga tributária, menos burocracia, maior infraestrutura, entre outras questões.

No entanto, por conta de uma acomodação atávica e, ainda, pelo imenso temor reverencial de que o governo possa, eventualmente, retaliar, vetando o acesso ao seu cadinho de benesses, existe uma certa timidez quanto a reivindicações. Ou quanto a um viés específico de reivindicações.

A pauta da Foxconn deveria servir de exemplo ao empresariado nacional. E deveria, na medida do investimento prometido, ser estendida a quem cria postos de trabalho no país.

Assim, proponho que a lista de demandas da Foxconn seja adotada por todos os que queiram investir e criar novos empregos no Brasil. Em especial, em setores de elevado emprego de mão de obra e de desenvolvimento tecnológico.

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Murillo Aragão é cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas

Fonte: Brasil Econômico - 17/5/2011

                                       





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