Deficiências logísticas crônicas

Coluna O Porto e Suas Questões

Paulo Schiff (*)

A equação da mobilidade urbana na Baixada Santista tem grau de complexidade alto. Uma porque falta planejamento. Outra porque falta investimento.

A região metropolitana tem boa parte da geografia longitudinal. A distribuição das cidades segue o litoral. Em alguns casos isso se traduz em deslocamentos longos, de dezenas de quilômetros. Peruíbe - Santos, por exemplo. Em outros casos, de cidades vizinhas, a ligação apresenta gargalos. Entre São Vicente e Santos, uma boa parte da divisa em morros. Entre Santos e Guarujá, um canal de estuário que tem movimento médio de quase 25 mil veículos por dia transportados em balsas anacrônicas.

A qualidade do transporte público está muito abaixo do que os passageiros exigem e merecem. E o custo da tarifa, muito acima.

Em Santos, a frota tem ônibus com ar condicionado que o calor torna obrigatório e o wi fi sintonizado com o estilo de vida deste início de século 21. Ainda é insuficiente para convencer o morador da cidade a deixar o automóvel e a moto em casa. Uma política municipal tem sido a de proibir progressivamente o estacionamento nas vias públicas para ganhar fluidez no trânsito. As poucas vagas que sobraram são disputadas  a tapa até nas ruas periféricas.

São Vicente abandonou os ônibus municipais em 97 e adotou as vans como transporte público alternativo. Deu certo. O centro comercial da cidade ganhou impulso frequentado pelos moradores dos bairros mais distantes.

Só que essa lâmina tem dois gumes. Nesta semana uma operação da Polícia Civil que investiga a lavagem de dinheiro pelo crime organizado nas vans prendeu um secretário municipal, um vereador e realizou buscas e apreensões no gabinete e na casa do prefeito Luís Cláudio Bili.

O governo estadual tem duas obras em execução que devem melhorar um pouco a mobilidade urbana regional: a elevação da Rodovia dos Imigrantes nos cruzamentos com o trânsito urbano de São Vicente e o Veículo Leve sobre Trilhos, espécie de metrô de superfície entre a cidade e Santos. Mas não conseguiu cumprir a promessa do túnel entre Santos e Guarujá.

Praia Grande, com recursos municipais, vai cuidando da entrada da cidade e preparando o projeto do BRT (VLT sobre pneus) até Peruíbe .. Santos não colocou nenhum tijolo na chegada da Via Anchieta, principal gargalo de ligação da cidade com o polo de Cubatão e do Porto com o resto do país.

(*) Paulo Schiff é jornalista. Email:  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

                                       





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