Anúncios da Usiminas e da Petrobrás acendem sinal vermelho na Baixada Santista

Coluna O Porto e Suas Questões

Paulo Schiff (*)

A Baixada Santista recebeu péssimas notícias nos últimos dias. A Usiminas anunciou a desativação da produção de aço em Cubatão. A Petrobrás, o engavetamento dos projetos de construção de duas das três torres projetadas para o Valongo, em Santos (uma já está pronta e funcionando), e da instalação, também na cidade, de uma base para as atividades offshore, no mar da Bacia de Santos.

Os dois anúncios instalaram aquele clima que os políticos definem como “barata voa”. A expressão se refere ao momento de risco iminente em que todos os soldados na frente de batalha correm para pegar as armas. Ou aquele outro em que todas as crianças de uma festa correm para pegar balas e bombons jogados para o alto.

A barata está voando no litoral paulista.

Cubatão tem como maior contribuinte de ISS, a Usiminas. De IPTU, a Usiminas. E de ICMS, principal fonte de arrecadação da Prefeitura, advinha? A Usiminas. Uma fatia de quase 40% desse ICMS. Sem esse macro-contribuinte, como manter em funcionamento escolas, creches, hospital, postos de saúde? Como subsidiar o transporte coletivo?

Paralelamente a esse abalo nos empregos diretos e na Prefeitura, toda uma cadeia de empresas que presta serviços e fornece insumos para a produção do aço vai perder o principal ou único cliente, fechar portas e demitir trabalhadores. Da confecção dos uniformes à manutenção dos computadores.

A situação desvela uma falta de planejamento de gerações. Prefeitos e mais prefeitos governaram as cidades da Baixada sem nunca mover um palito de fósforo na direção de atrair para a região empresas que utilizassem a produção da antiga Cosipa e atual Usina de Cubatão da Usiminas e a vantagem logística da proximidade do Porto para produzir e exportar manufaturados do aço. Vale a mesma coisa para gerações e gerações de deputados.

A Usiminas fecha as portas por falta de compradores desse aço.

No mesmo momento a Petrobrás engaveta os projetos. Aqui o problema é outro. O mercado de petróleo com o barril abaixo dos US$ 50 não está para o óleo do pré-sal que custa mais que isso para ser trazido até a refinaria.

Santos e as demais cidades da Baixada ainda não dependem tanto da Petrobrás. Estavam no caminho dessa dependência. A Saipem do Brasil, por exemplo, está instalada em Guarujá e 100% direcionada para o pré-sal. As milhares de salas de escritórios construídas em Santos nos três, quatro últimos anos... Os milhares de jovens que investiram em cursos para carreiras na exploração do petróleo e do gás da Bacia de Santos...

Muita calma nessa hora !!! Mas não tem como negar que o momento é de pânico. Total !!!

(*) Paulo Schiff é jornalista. Email:  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

                                       





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